Jefferson vive drama e precisa de ajuda
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terça-feira, 29 de julho de 2003
Thiago Mossini<br>Reportagem Local 
Deitado em uma cama sem quase todos os movimentos e sem falar. Essa é a situação do jogador londrinense Jéfferson Vieira da Silva, 32 anos. Há pouco mais de um ano ele vem convivendo com vários problemas de saúde, que o afastou dos gramados e da vida normal.
Para se ter uma idéia do tamanho dos problemas dele, a doença contraída, uma Síndrome de Bechet, é tão rara que a família não encontra um médico sequer com o interesse de tentar assumir o caso.
Tudo começou quando Jéfferson se apresentou ao Juventude-RS, no início de maio do ano passado. Segundo a esposa dele, Adriana Oltramari da Silva, o atleta, recém-contratado pelo clube gaúcho, treinou apenas três dias e reclamava de dores de cabeça. Ele fez alguns exames e foi diagnosticado que estava com meningite.
Jéfferson, que não chegou a assinar contrato com o Juventude, ficou 19 dias internado em um hospital de Caxias do Sul e teve o lado esquerdo paralisado. Ele voltou para Londrina e fez fisioterapia. Quando todos achavam que o lateral já estava recuperado os sintomas voltaram. ''Ele começou a enxergar tudo nublado e sentia dores nas articulações. Teve uma nova infecção e ficou uma semana internado'', lembra a esposa.
Jéfferson começou a ficar com a memória fraca e em dezembro foi internado na Santa Casa com tuberculose cerebral. ''Ele fez várias ressonâncias e não acusavam nada. Na véspera do Natal veio para casa, mas dia 6 de janeiro voltou para o hospital sem os movimentos, só piscava os olhos'', diz Adriana.
O jogador ficou 24 dias internado no Centro de Terapia Intensiva e depois foi para o quarto da Santa Casa. Ficou lá dois meses e meio, até que trocou de médico. ''A gente via que a medicação não surtia efeito'', conta a esposa.
No início de março deste ano, o novo médico Adriana preferiu não revelar os nomes dos médicos que cuidaram do marido para preservá-los diagnosticou a Síndrome de Bechet, que pode ter sido contraída através de frutas ácidas ou chocolate. Ele deixou o hospital e começou a fazer tratamento de fisioterapia e fonoaudiologia em casa. Semana passada Jéfferson passou por uma cirurgia de traquioplastia.
Apesar de continuar em tratamento, o jogador está sem acompanhamento médico. ''O que a gente mais quer é que um médico se interesse pelo caso dele e esclareça as dúvidas'', comenta. Adriana afirma que a situação financeira também não está boa. Com remédios e profissionais de saúde ela gasta em média R$ 1,5 mil por mês. ''Temos um apartamento alugado e recebemos o auxílio doença, mas praticamente empata'', diz.
Adriana fica emocionada ao contar a situação do marido, mas não desiste. ''Vamos alcançar um milagre de Deus'', observa. Os amigos feitos no futebol são as principais fontes de esperança para o atleta. ''Graças à Deus fizemos muitos amigos como o Aldrovani, o Sangaletti e muitos outros que sempre ligam para ver como ele está''.


