Jeferson manteve atividades mesmo após acidente
Vários são os casos de superação entre os nadadores da Adefil. Francisco Martins, 52 anos, perdeu o movimento das pernas em virtude de uma doença, há 12 anos. Laurinda Leocádio Barbosa, 48, teve paralisia cerebral. Nilson José Nunes é paraplégico. Mas Jeferson da Silva Amaro, 17, é um caso à parte, pois deu a volta por cima rapidamente.
Sorridente e de bem com a vida como qualquer jovem, ninguém diz que Jeferson não tem uma perna e um braço do mesmo lado (esquerdo). Ele poderia se sentir rejeitado entre os colegas devido à mutilação e ao uso da cadeira de rodas, mas vê a vida de outra forma. ''Posso estudar e trabalhar (faz montagem e manutenção de computadores), não tenho porque reclamar'', ensina o garoto.
Jeferson é outro que não se esquece do dia em que sofreu o acidente. Foi em 17 de setembro de 2003, em Cambé, onde mora. ''Estava à toa com outros dois colegas brincando na linha (férrea) e fomos pegar carona num trem. Quando faltavam sete vagões para acabar o trem eu escorreguei, caí e ele passou por cima de mim''.
Após 20 dias de internação, Jeferson deixou o hospital e seus pais estavam apreensivos. ''Mas eu disse para eles que estava bem e que ia continuar fazendo de tudo. Segui os estudos e passei de ano normalmente''.
A situação melhorou quando começou na natação há um ano e meio. ''Vou ficar ainda melhor quando colocar a prótese na perna, daqui a dois meses, pelo SUS. Daí poderei caminhar e pegar ônibus normalmente'', motiva-se Jeferson.
O esporte, segundo ele, é fundamental não só para elevar a auto-estima dos deficientes, mas também para tirá-los do sedentarismo. ''Lembro que antes do acidente eu tinha 65 quilos. Depois comecei a engordar e cheguei a 96. Com a natação e as atividades estou me mantendo com 82 quilos'', relata. (J.K.)





