Jean usa jeitinho para vencer
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quarta-feira, 22 de janeiro de 1997
Agência Estado 
O piloto brasileiro Jean Azevedo ganhou o título da categoria produção do Rali Dacar graças ao jeitinho. Quando minha moto quebrou a 10 quilômetros do final da sétima etapa, peguei carona no carro de turistas italianos que estavam no local, conta. Eles me deixaram a um quilômetro da reta de chegada, porque este recurso não é permitido, e terminei o trecho que restava empurrando a moto.
Este tipo de recurso, segundo Jean, é comum durante a prova. No rali todo mundo se vira como pode. O piloto conta que quando André Azevedo, que também participou da prova, o viu com problemas mecânicos tratou de parar para lembrar o irmão de que se usasse o carro-vassoura seria desclassificado, como aconteceu com ele em 96. Por sorte a reta final era em terreno de cascalho, senão acho que não conseguiria empurrar a moto.
Com novo motor, Jean passou da categoria Maratona, exclusiva para motos de enduro e que não permite troca de algumas peças do veículo, para a Produção, considerada mais difícil porque inclui motos de competição as quais podem ter o motor trocado. O prêmio pela vitória, US$ 4 mil não cobriu a taxa de inscrição, de US$ 6 mil.
Klever Kolberg, que participou do Dacar pilotando motos durante 10 anos, disse que gostou da experiência de competir de carro pela primeira vez. Só agora é que dei conta dos riscos que corria pilotando moto. O piloto afirmou que pretende repetir a façanha em 98 mas seu companheiro de prova, o navegador João Lara Mesquita já avisou que não participa do Dacar no ano que vem.
A surpresa da prova para toda a equipe este ano foi o grande número de etapas disputadas na savana. A ultrapassagem é algo meio camicase porque a poeira não deixa você enxergar e, de repente, você pode estar à frente de uma árvore, conta Klever.
De volta ao Brasil, Klever, Jean e André participam da segunda etapa da Copa Lubrax no domingo e do Rali Internacional dos Sertões, em julho.


