Jean Todt diz que a decisão foi toda sua
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segunda-feira, 13 de maio de 2002
Agência Folha 
Zeltweg - Tem tudo para ser mais um gesto orquestrado. Mas o diretor esportivo da Ferrari, o francês Jean Todt, assumiu ontem toda a responsabilidade pela inversão de posições de seus dois pilotos na última volta do GP da Áustria.
Eu tomei a decisão sozinho. Poderia ter dado a ordem antes, mas achei que aquele era o momento certo. Não me arrependo do que fiz, declarou o dirigente. Não foi uma decisão fácil, mas ainda estamos no primeiro terço da temporada. Até agora, não ganhamos absolutamente nada. Suas declarações deixam Luca di Montezemolo, presidente da escuderia, livre da culpa pela atitude antiesportiva de Zeltweg.
Figura influente na Itália, ex-dirigente da Juventus, membro de associações industriais e comerciais, Montezemolo tem claras aspirações políticas em seu país.
Mesmo tendo recusado um convite do premiê Silvio Berlusconi para assumir o Ministério dos Esportes, no ano passado, o executivo almeja um cargo público quando deixar a Ferrari, o que já ameaçou fazer algumas vezes.
Mas, a julgar pelas manchetes dos jornais italianos ontem, ele dificilmente se elegeria para qualquer coisa nos próximos meses.
Ontem, dois jornais italianos fizeram pesquisas em seu sites para saber a opinião dos leitores. Na página do La Repubblica, mais de 15 mil pessoas votaram: 87% foram contra a atitude da Ferrari.
No site do La Gazzetta dello Sport, 94% dos leitores desaprovaram a troca de posições no GP.
Toda decisão tem prós e contras. Mas, para mim e para a Ferrari, prevaleceu o lado positivo, disse Todt. O discurso do francês soa a jogo de cena. Dificilmente ele tomaria uma decisão importante como aquela sem o consentimento do presidente da escuderia, que viu o GP pela TV, na Itália.
Depois de fazer a pole e dominar todo o GP da Áustria, Rubens Barrichello recebeu ordem da Ferrari para desacelerar e abrir para Michael Schumacher, então em segundo. A ordem veio na 68ª das 71 voltas da prova. O brasileiro obedeceu, abriu mão do que seria sua segunda vitória na F-1 e deu o primeiro lugar ao alemão a 10 metros da linha de chegada.
No pódio, Schumacher e Barrichello foram vaiados, cena inédita nos 52 anos da categoria.


