Os ingressos para a partida entre Brasil e Japão estão esgotados há mais de um mês. Com o nome oficial de Kirin Beverage Soccer 99, o jogo é tão aguardado pelos japoneses que é feita até uma contagem regressiva diária, nos telejornais da TBS (Tokyo Broadcasting System), emissora que detém os direitos de transmissão para o país. No dia 27 de fevereiro, poucas horas bastaram para que todas as mais de 50 mil entradas fossem vendidas.
O amistoso é tido pela imprensa do país como uma boa chance para que o Japão repita a vitória histórica sobre a Seleção Brasileira, na Olimpíada de Atlanta, em 1996.
O jogo ocorre pouco antes de os japoneses participarem pela primeira vez - como convidados - da Copa América, em junho, no Paraguai. O convite ainda é muito comemorado no Japão, por oferecer à equipe a oportunidade de obter maior experiência internacional, depois de ter conseguido disputar, no ano passado sua primeira Copa do Mundo e estar-se preparando, junto com a Coréia do Sul, para sediar o Mundial de 2002.
Os japoneses estão apostando suas fichas em bons resultados de sua seleção, para tentar recuperar a popularidade do futebol no país. Além do fraco desempenho do time na Copa da França - eliminado na primeira fase, após três derrotas, para Argentina, Jamaica e Croácia -, o futebol não passa por um bom momento no país.
Não bastasse uma recente reviravolta no comando da equipe, com a contratação do treinador francês Philippe Troussier, ex-técnico da África do Sul, de 44 anos, o mais importante campeonato do Japão vive uma crise sem precedentes. Em seu sétimo ano, a J-League - Liga Profissional do Japão - está amargando as consequências da profunda crise econômica enfrentada pelos japoneses.
Isso vem tendo reflexos desastrosos no comparecimento do público aos estádios e na fuga de grandes patrocinadores dos clubes, sem falar no interesse cada vez menor das emissoras de TV em transmitir as partidas. Lançada em 1993, a J-League prometia ser a redenção do futebol japonês que nunca havia participado de uma Copa do Mundo. Ao contrário, os jogadores ligados aos clubes das grandes empresas só tinham conhecimento de um breve momento de glória do futebol do país em competições internacionais, quando o Japão conquistou a medalha de bronze, na Olimpíada do México, em 1968.

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