Japoneses elegem a "cria" Amoroso o melhor do jogo


Por Hélder Guimarães
Por Hélder Guimarães

Tóquio, 31 (AE) - A vitória por 2 a 0 da seleção brasileira, hoje, em Tóquio, teve um sabor muito especial para o atacante Amoroso, atualmente no time italiano da Udinese. "Criado" no futebol do Japão, como gosta de destacar com orgulho a imprensa japonesa, o jogador, autor do primeiro gol, acabou sendo escolhido o melhor jogador da partida, pelos organizadores do evento. Entre outros prêmios, Amoroso ganhou o fornecimento - pelo período de um ano - de vários produtos da empresa japonesa Kirin, como refrigerantes e sucos.
Para o craque, sua atuação no jogo contra os japoneses foi bem melhor do que na derrota para a Coréia do Sul, domingo, por ter-se sentido "mais solto na partida". O jogador, nascido em Brasília, destacou o fato de a equipe ter tido mais espaços em campo, em consequência das características mais técnicas do Japão, em comparação com os sul-coreanos, ainda longe de mostrar um bom futebol.
O gol, aos 11 minutos do primeiro tempo, foi o primeiro do atacante contra o Japão e teve ainda outro motivo especial de comemoração para Amoroso. Há sete anos, quanto tinha apenas 17 anos, ele atuava no futebol japonês, antes mesmo da profissionalização do esporte no país, com a criação da J-League - a Liga Profissional do Japão.
Jogando pela chamada "equipe-satélite" e de juniores do Verdy, da cidade de Kawasaki, Amoroso nunca havia disputado uma partida no gramado do Kokuritsu, o Estádio Nacional, palco do jogo de hoje. "Foi muita emoção marcar aquele gol com o estádio cheio", disse, ao recordar a época em que atuava no país. Seu passe era, então, estimado em aproximadamente US$ 300 mil, mas, segundo ele, o presidente do clube japonês não se interessou em concluir a transação.
De acordo com a imprensa japonesa, o atacante teria deixado Kawasaki, de volta ao Brasil, bastante triste e contrariado, pois preferia permanecer no país, em vias de adotar a profissionalização no futebol.
Amoroso contou um episódio curioso daquela época, quando o brasileiro, naturalizado japonês, Ruy Ramos, que jogava na equipe principal do Verdy, chegou a brincar com ele, propondo-lhe comprar seu passe por US$ 500 mil.
Hoje, contudo, até mesmo os jornais japoneses dão um grande destaque à passagem do atacante da seleção brasileira pelo futebol do país, em 1992, deixando no ar uma pergunta sobre se o presidente do Verdy não se arrependeria de ter perdido a grande oportunidade de manter Amoroso na equipe.

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