Nuremberg - O adversário era outro, mas muito parecido com o da estréia. Assim como os australianos, os croatas usaram a força física como seu maior trunfo. Mas o Japão voltou a esbarrar em sua incapacidade de fazer um gol e ao empatar em 0 a 0 com a Croácia, numa partida tecnicamente ruim, complicou de vez sua situação no Grupo F da Copa do Mundo. Enquanto as duas torcidas deram de entusiasmo no Frankenstadion, misturadas, torcendo e gritando sem a menor ameaça de conflito, em campo os jogadores deram um espetáculo abaixo da expectativa, com o Japão esbarrando novamente em sua incrível incapacidade de fazer um golzinho sequer.
  ‘‘Nós chegamos ao ponto de mandarmos para fora as bolas que vão para dentro. Por isso tem poucos artilheiros no mundo. É muito difícil fazer o gol’’, ironizou o técnico Zico após o jogo, logo ele um dos especialistas em botar a bola na rede.
  Agora, com apenas um ponto em duas partidas, têm jogos decisivos na terceira rodada. O Japão, de Zico, vai para o tudo ou nada contra o Brasil precisando vencer, enquanto a Croácia enfrentará os australianos também em situação complicada. E se os dois times jogarem como ontem, a passagem de volta para casa mais cedo parece mais do que confirmada.
  O Japão escapou logo aos 20 minutos de sofrer um gol, quando Miyamoto precipitadamente derrubou Prso na área. Srna bateu forte no canto esquerdo, mas Kawaguchi fez uma defesa espetacular, espalmando a ameaça de derrota. A partir daí, o jogo melhorou. Para a Croácia, que andou pressionando. Aos 27, Niko Kranjcar, filho do técnico croata, chutou de fora da área e a bola bateu no travessão. Pouco depois, o mesmo Kranjcar deixou Klasnic na frente do gol, mas ele chutou para fora.
  No primeiro tempo, a melhor chance do Japão aconteceu aos 35 minutos, através de Nakata, que com um chute fortíssimo de fora da área obrigou Pletikosa a fazer grande defesa. Quatro minutos depois, a Croácia respondeu com Klasnic, que chutou forte e Kawaguchi salvou.
  No segundo tempo, o Japão deveria ter partido com tudo para frente, mas preferiu a timidez em vez da ousadia. Lentamente e trocando passes ao seu estilo, a equipe japonesa aos cinco minutos criou bela chance. O lateral-direito Kaji cruzou da linha de fundo nos pés de Yanagisawa, que perdeu um gol feito, chutando para fora
  ‘‘Numa jogada dessas o atacante já entra na parada ajeitando o corpo para bater de chapa. O cara bateu de lado de fora do pé, tem que ir pra longe’’, reclamou Zico mantendo a dose de ironia em relação à incompetência do Japão na arte de fazer gols.
  Inabilidade igual para marcar teve Kranjcar aos oito, quando chegou atrasado e desequilibrado numa bola diante do gol japonês. Aos 32, o Japão chegou de novo com perigo na área croata, mas Yanagisawa voltou a perder a chance. E faltando dois minutos para o fim da partida, Alex fez bela jogada e bateu cruzado. O goleiro estava batido, mas um zagueiro evitou o gol quase sobre a linha. ‘‘É realmente difícil fazer um simples gol’’, concluiu Zico no final da partida.


JAPÃO 0
Kawaguchi; Kaji, Miyamoto, Nakazawa e Alex; Ogasawara, Nakata, Fukunishi (Inamoto) e Nakamura; Takahara (Oguro) e Yanagisawa (Tamada). Técnico: Zico

CROÁCIA 0
Pletikosa; Simic, Kovac e Simunic; Srna (Bosnjak), Tudor (Olic), Kovac, Babic e Niko Kranjcar (Modric); Klasnic e Prso. Técnico: Zlato Kranjcar

Árbitro: Frank De Bleeckere (BEL)
Estádio: Frankenstadion, em Nuremberg

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