São Paulo - Janeth Arcain, de 40 anos, assumiu uma nova missão no basquete: contribuir para a evolução da categoria que cresceu em tempos de fartura de talentos, mas que escancarou a ausência de planejamento quando a safra secou. Desde maio na função de assistente do técnico Paulo Bassul, Janeth aceitou o cargo a pedido de Hortência, diretora da Confederação Brasileira de Basquete (CBB) e parceira dos tempos das vitórias fáceis em quadra.

E se depender do que ganhou jogando, a modalidade tem futuro. Foram duas medalhas olímpicas (prata em Atlanta/96 e bronze em Sydney/2000), um título mundial (Austrália/94) e o ouro no Pan de Havana/91. Inaugurou a nova era nos Estados Unidos, em 1997, atuando as sete primeiras temporadas da WNBA, e ganhou quatro títulos no Houston Comets (1997 a 2000).

Leal às antigas parceiras, Janeth defendeu as veteranas como a armadora Helen (36 anos) e a pivô Alessandra (35) com o intuito de ajudar o amadurecimento das promessas. E com um time experiente, a partir de hoje o Brasil vai em busca do tricampeonato da Copa América e de uma vaga no Mundial de 2010, na competição a ser disputada em Cuiabá. A estreia brasileira será contra Porto Rico, a partir das 20 horas.

Para os críticos, que esperavam por jovens atletas no elenco, Janeth diz que a renovação não começou agora e que as novatas precisam do apoio das mais rodadas para, só assim, formar um time competitivo e forte no cenário mundial do basquete feminino.

Agência Estado - Você já está confortável na função? No início dos treinos, estava sempre com a bola na mão. É saudade, vontade de jogar...?
Janeth - Olha, sobre esse negócio de não largar a bola é porque tem de continuar íntima dela, manter a afinidade. Mas eu estou bem sim, cada vez mais alcançando um entrosamento com o Paulo (Bassul), com o César (Guidetti, assistente técnico). Acho que o trabalho está sendo bem realizado porque as meninas são responsáveis e dedicadas. Estou me empenhando ao máximo para trabalhar em favor do basquete.

AE - Dois meses de preparação para a Copa América foram suficientes? O que dá para esperar? O tricampeonato?
Janeth - É uma competição importante, dentro de casa, e nós sabemos disso. Mas o importante é a classificação para o Mundial. Nós temos três vagas em disputa e, claro, na sequência, queremos conquistar o título do campeonato também.

AE - O basquete masculino já ganhou a Copa América e garantiu a vaga para o Mundial do ano que vem. Isso coloca alguma pressão a mais em cima das jogadoras e da comissão técnica? Você sente isso?
Janeth - Não, não... Para nós, do feminino, esse tipo de coisa (pressão) nunca existiu, nada disso. Os nossos resultados anteriores provam isso. A equipe está bem, estamos terminando de lapidar alguns detalhes que faltam, para que elas cheguem bem nesta quarta-feira e façam um campeonato crescente até o dia 27. E a perspectiva é boa.

AE - As vitórias contra Argentina e Canadá nos amistosos foram proveitosas? Como analisou?
Janeth - Tivemos um parâmetro, vimos algumas coisas erradas, outras certas, visamos alguns detalhes que faltam... Ajudou bastante.

AE - A Argentina, quando você jogava, não era problema para o Brasil. O que mudou de lá para cá que os jogos são cada vez mais equilibrados entre as duas seleções?
Janeth - Acho que todo mundo aprende a jogar, né? Mas eu não diria que mudou alguma coisa na parte tática ou técnica. O que mudou foram as jogadoras. Mas ainda nós somos melhores que elas.

AE - Uma característica da seleção é a experiência. A alta média de idade (28 anos) é criticada em blogs e colunas de opinião, como justificativa de que não há renovação no basquete feminino. Como você explica isso?
Janeth - Olha só, falam sobre renovação, mas se querem mesmo uma renovação a gente tinha de jogar com a seleção juvenil? Não é esse o caso. Temos jogadoras de outras gerações que não tiveram chance de jogar e hoje estão numa faixa etária boa. Tem a Adrianinha, Fernanda, Karen, Palmira... Experientes mesmo só a Alessandra e a Helen. Não é mesmo uma renovação com meninas de 18 anos, mas com aquelas que antes estavam no banco e hoje são as atrizes principais. Essa é a diferença que o pessoal não sabe definir, não sabe ver.

AE - Essa mescla foi a melhor saída?
Janeth - A renovação já começou lá atrás, quando eu e minha geração paramos. Pensamos em agregar duas jogadoras experientes porque o momento é decisivo e o torneio é no Brasil. E isso já deu certo em outros tempos, com jovens e experientes juntas.

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