Jamaica e Cuba são campeões de 'produtividade'
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sábado, 09 de setembro de 2000
Agência Estado De São Paulo 
A supremacia dos países campeões olímpicos não é proporcional à sua população nem à sua economia. Se os Jogos Olímpicos levassem em conta, além das medalhas conquistadas, os dados econômicos e populacionais de cada país, Jamaica, Cuba, Bulgária e Hungria ocupariam a liderança do ranking mundial. Nas duas últimas Olimpíadas, esses países ficariam entre os cinco primeiros colocados, enquanto os que geralmente ganham o maior número de medalhas, como Estados Unidos, Rússia e China, não estariam nem entre os 20 melhores.
Esse é o resultado de um levantamento inédito no Brasil, realizado pelos professores Cláudio Felisoni de Ângelo e Abraham Yu, da Faculdade de Economia e Administração (FEA) da USP. Pelo mesmo estudo, o Brasil desceria do 25º para o 30º lugar, mas com um atenuante: por esse critério, a pontuação triplicaria de 0,91 nos Jogos de Barcelona (1992) para 3,16 nos Jogos de Atlanta (1996). Apesar disso, o País continuaria em 30º lugar.
Os números foram obtidos pelo Programa de Administração de Varejo (Provar), um projeto desenvolvido há oito anos pela FEA, que já é utilizado para a avaliação da eficiência de redes de lojas e supermercados em todo o País. Com o mesmo software, mas a partir de dados diferentes, Felisoni e Abraham cruzaram indicadores sociais e econômicos para obter um índice e confrontá-lo com o total de medalhas de cada país nas duas olimpíadas mais recentes. Com o cruzamento de todos esses números, a equipe da USP chegou a um ranking bem diferente do tradicional quadro de medalhas.
Em Barcelona-92, a então Equipe Unificada (Rússia e mais 14 países da antiga União Soviética) ficou em primeiro lugar no número de medalhas, seguida por Estados Unidos, Alemanha, China e Cuba. Em Atlanta-96, os americanos lideraram o quadro geral, na frente da Federação Russa, Alemanha, China e França. Quando se leva em conta a população e a economia de cada país, porém, apenas Cuba mantém uma boa posição. Em número de medalhas, os cubanos terminaram na quinta posição em 92 e na oitava em 96. Pelo novo critério, Cuba ficaria em segundo em Barcelona e dividiria a primeira colocação em Atlanta com a Jamaica.
Entre os dez melhores, a Austrália também faz um bom papel. Sobe de décima para oitava em Barcelona e de sétima para quinta colocada em Atlanta. Já os Estados Unidos despencariam da 2ª para a 22ª posição em Barcelona e da 1ª para a 26ª em Atlanta. A Rússia, mesmo com os 14 países da Equipe Unificada, não passaria do 20º lugar em Barcelona e do 23º posto em Atlanta.
Do mesmo modo, a China e Alemanha desceriam vários degraus. Os chineses ficariam atrás do Brasil em Atlanta, em 32º lugar. Quanto maior a população e a economia, mais difícil fica obter um número de medalhas correspondente, analisa o professor Felisoni, doutor em Economia pela FEA e coordenador do Provar.
Ele cita o caso dos Estados Unidos, que em 1996 possuíam 268 milhões de habitantes e um Produto Interno Bruto (PIB), corrigido pelo poder de compra, de US$ 6,9 trilhões. Embora os americanos ganhem muitas provas, não há número suficiente de medalhas para corresponder ao seu poderio econômico, compara Felisoni.
Da mesma forma, a China teria muita dificuldade de justificar em medalhas sua população de 1,2 bilhão em 1996. Ao contrário, países com economia menor ou população reduzida, como Cuba e Jamaica (11 milhões e 3 milhões de habitantes, respectivamente, na última Olimpíada), levam uma grande vantagem no cruzamento de dados. Se você tem uma fábrica pequena, suas chances de aumentar a produtividade são maiores, compara Felisoni. Os resultados desses países (Cuba e Jamaica) demonstram seu grau de eficiência e o grande investimento que eles fizeram no esporte, concorda o professor Abraham.
Para compreender melhor, basta lembrar que, em 96, o Brasil tinha uma população 15 vezes maior, mas só conseguiu um terço das medalhas de ouro conquistadas por Cuba.


