Jadel quer saltar longe em Atenas
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terça-feira, 27 de abril de 2004
Agência Estado 
São Paulo - A evolução de Jadel Gregório desde que chegou ao Projeto Futuro, em São Paulo, há seis anos, mais os 16 pódios nas 20 provas que competiu, com incrível regularidade saltou dez vezes acima dos 17 metros em 2003, colocam o triplista entre os candidatos à medalha na Olimpíada de Atenas, em agosto. Jadel, de 23 anos, 2,02 metros e 103 quilos, é vice-líder no ranking mundial de pontos da Associação Internacional de Federações de Atletismo (Iaaf).
''Sei que ele vai saltar longe, mas não me peça números porque isso vai delimitar o Jadel'', afirma o técnico Nélio Moura, que não faz previsões de quão longe o triplista saltará, mas acredita que o brasileiro não pode ficar fora da relação dos favoritos em Atenas. ''Meu objetivo é ir ao pódio no máximo de competições entre as que eu disputar, incluindo as provas da Golden League'', observa Jadel. Esse ano, o salto triplo integra o programa oficial do circuito da Liga de Ouro, que tem os melhores prêmios nos meetings mais nobres da temporada, de junho a setembro.
Mas não foi o triplo, que deu ao Brasil seis medalhas olímpicas, incluindo o único bicampeonato (1952/56), com Adhemar Ferreira da Silva, que levou Jadel a optar pela prova. Nem Nélson Prudêncio, que ganhou prata em 1968 e bronze em 1972, e nem João Carlos de Oliveira, o João do Pulo, que ganhou dois bronzes, em 1976 e 1980 e ainda é o recordista brasileiro e sul-americano (17,89 m). A não ser por algumas fitas de vídeo que tem em casa e o contato com Nélson Prudêncio, Jadel não se inspirou nos triplistas. Admira nomes nem tão famosos, mas com os quais conviveu, como Anísio de Souza e Sérgio Muniz.
Na verdade, queria saltar em altura, inspirado em Wagner Príncipe, o Salsicha, que era recordista sul-americano juvenil da prova e ganhou quatro vezes o Troféu Brasil. Jadel nasceu em Jandaia do Sul, Paraná, mas foi criado em Marília, São Paulo. Fez teste e foi engajado no Projeto Futuro, em São Paulo, em 1998. ''Veio para treinar com o Salsicha e decidido a fazer salto em altura. Fez um pouco de tudo, altura, barreira, distância, triplo. Evoluiu na altura chegou saltando 1,90 m e como juvenil ainda chegou aos 2,10 m. Só que no triplo melhorou muito mais, de 13,99 m para 16,18 m em um ano. Eu pensava 2,02 metros de estatura é bom para o salto em altura, mas 100 quilos não é nada bom...''
Jadel admite que ''era apaixonado pela altura'' e se convenceu que sua prova era o triplo após o salto de 16,18 m, no Pan-Americano Juvenil, em 1999. ''Mudei automaticamente. Fiquei forte, pesado e era mais fácil agarrar algo em que realmente tinha chance do que viver de sonho.''
Terminou 1998 saltando 14,65 m e aí apresentou as marcas de 16,18 m (1999), 16,48 m (2000), 17,13 m (2001), 17,11 m (2002 e 2003), sempre em provas ao ar livre. Em 2002 ainda saltou 17,35 m indoor (recorde sul-americano em pista coberta). Esse ano, sua melhor marca foi 17,46 m, no meeting indoor de Karlsruhe (Alemanha), em fevereiro. Em março ganhou a medalha de prata, no Mundial Indoor de Budapeste, com 17,43 m. ''Nos dois últimos anos, a evolução de Jadel foi bem grande. ''Saiu do sexto lugar (em Birmingham/2003), para o vice-campeonato do mundo indoor (em Budapeste/2004). Quanto mais alto o nível, mais difícil continuar evoluindo. Ele ainda pode crescer, eu sei, mas é a regularidade, dentro da temporada, que mais me agrada.'', afirma o técnico.
O triplista acredita que evoluiu dentro e fora das pistas. ''Aprendi a treinar, sei analisar meus saltos e treinos, sou mais tranquilo era muito revoltado e aprendi a me relacionar era muito fechado.'' O rap dançante e os livros ajudam a passar o tempo na temporada européia.
O recordista e campeão mundial Christian Olsson, da Suécia, é considerado hoje o favorito ao ouro em Atenas. ''Todos sabem do talento do Olsson, mas Jadel não está assutado com ele'', garante Nélio. Além de Olsson, líder do ranking, Yoandri Betanzos, David Giralt e Alexander Martinez, de Cuba; Leevan Sands, da Bahamas; Marian Oprea, da Romênia; Kenta Bell, dos EUA; e Dimitry Valykevich, da Bielo Rússia estão entre os rivais na Olimpíada e no circuito da Golden League em Oslo (11 de junho), Roma (2 de julho), Paris (23 de julho), Zurique (6 de agosto), Bruxelas (3 de setembro) e Berlim (12 de setembro). ''Jadel tem perseverança, boa vontade e tem conseguido cumprir tudo o que é necessário para cumprir objetivos que são muito altos, como estar sempre entre os oito melhores do mundo'', ressalta Nélio.


