São Paulo - Uma decisão tomada por 79,4% dos 136 dirigentes, atletas e técnicos de atletismo presentes em um fórum realizado pela Confederação Brasileira (CBAt), na sexta-feira passada, foi considerada por Jadel Gregório como um ataque pessoal.

No encontro, vários assuntos referentes à modalidade foram colocados em votação. Um deles questionava: a entidade deve dar apoio financeiro para a moradia de atletas no exterior? A maioria decidiu que não. Jadel não esteve no encontro, em São Paulo. Está na Inglaterra, onde vive há quatro anos, preparando-se para o Mundial Indoor, que será realizado em Doha (Catar), em março.

Mas, à Agência Estado, o paranaense de Jandaia do Sul afirmou estar indignado. ''Quantos brasileiros treinam no exterior? Só eu. Foi um ataque direto''. A seguir, os principais trechos da entrevista.

Agência Estado - Por que você considera o resultado da votação um ataque pessoal?
Jadel Gregório - Pelo fato de eu morar fora do País e precisar de auxílio para continuar dando resultado. Isso não agrada aos técnicos. Fora do Brasil, faço mais competições e, automaticamente, meus resultados são expressivos. O que mostra que eu saí e tive melhor desempenho, ao contrário de quem ficou no Brasil, com quem os técnicos não estão sabendo trabalhar.

AE - Mas quantas pessoas treinam fora do Brasil, além de você?
Jadel - Só eu. Foi um ataque direto à minha pessoa. Mas algumas pessoas deram chiliques, como o técnico da Fabiana Murer (Elson Miranda), dizendo que era um absurdo o que eu estava pedindo. A atleta dele é treinada por um técnico estrangeiro (Vitaly Petrov, que dá consultoria à atleta) há mais de quatro anos e melhorou muito. Essa é uma pessoa que eu desconsidero o voto. Dos outros também, porque não vejo resultado nenhum deles. Desde 2001, sempre fui finalista ou medalhista em Mundiais. Tenho representado o Brasil muito bem para ser julgado por um grupo de fracassados, que não desenvolvem nada. Pelo contrário, atrapalham. Temos muitos talentos, mas eles são trabalhados de maneira errada.

AE - Um dos assuntos do fórum foi a formação de atletas para 2016.
Jadel - Tenho visto bastante coisa errada no Brasil e resolvi sair para não ter de brigar com todo mundo. De 2000 para cá, os juvenis e os menores não fizeram nada no adulto. Só quem vem competindo é a Maurren, a Fabiana e o Jadel. Agora, todo mundo vai ter sete anos pra trabalhar e a desculpa depois vai ser ''Ah, a gente não conseguiu formar''. Depois de sete anos, todo mundo já ganhou com isso.

AE - Que tipo de ajuda você recebe da CBAt?
Jadel - Eu recebi ajuda no período de 2006 e 2007. Aí, em 2008, não recebi. Entrei em contato com o presidente, coloquei a situação, expliquei, e aí fizeram um contrato com o meu técnico, o Peter Stanley. Agora, estão pagando o meu técnico. Mas, numa boa parte desses quatro anos, eu paguei. Mas sou muito grato por ter meus dois patrocinadores, Caixa e Nike, que estão firmes comigo e não me abandonaram quando eu me machuquei neste ano. Mesmo assim, precisei entrar machucado em competições por causa dos cachês.

AE - Mas a decisão da moradia do atleta não é pessoal? Isso foi posto pela direção da CBAt no fórum.
Jadel - Pois é... E o problema da CBAt é ter pista adequada para treinos, sala de musculação, parte médica, fisioterápica. Mas eu pergunto: temos lugar para competir? A pista do Engenhão ficou fechada até o Campeonato Brasileiro desse ano e a gente não podia nem entrar. Uma coisa maravilhosa daquelas fica fechada? A verdade, no Brasil, dói. E quem fala a verdade é mal visto.

AE - Como está sua preparação para a temporada?
Jadel - Eu nunca estive tão bem. Como meu técnico está recebendo, ele tem mais tempo ao meu lado. Estou trabalhando para ser finalista, medalhista em torneios importantes, não para fazer turismo, como os que votaram contra.

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