São Paulo - Jade Barbosa está de volta a Stuttgart, cidade alemã onde fez história no Mundial de Ginástica Artística, no mês passado, ao se tornar a primeira brasileira a ganhar medalha (bronze) no individual geral - somatório dos quatro aparelhos. Hoje, ela compete nas eliminatórias dos quatro aparelhos na Copa do Mundo da Alemanha. As finais serão amanhã, às 9 horas. A equipe brasileira é formada ainda por Victor Rosa e pelos irmãos Diego e Daniele Hypólito.
A adolescente que encantou o País no Pan do Rio por sua sensibilidade - ''Não tenho vergonha de chorar e não me incomodo com a fama de chorona'' - graça e talento, assume o posto de nova estrela da ginástica brasileira. Aos 16 anos, também se destaca pela popularidade, superando a gaúcha Daiane dos Santos, quase dez anos mais velha, que está em baixa, lutando contra sérias contusões.
O carisma é tão grande que Jade desbancou até o nadador Thiago Pereira, dono de oito medalhas no Pan, na votação pela internet para o revezamento da tocha da Olimpíada de Pequim. Ela concorre ainda ao prêmio de ''As Mulheres Mais Influentes do Brasil'', promovido pela Gazeta Mercantil e Companhia Brasileira de Multimídia. A lista de personalidades vai de jornalistas, como Ana Paula Padrão, a cantoras, como Ivete Sangalo.
Mas nada disso parece deslumbrar a jovem atleta que diz estar ''encarando bem'' o status de estrela. ''O assédio está bem maior. Onde eu vou, pedem para tirar foto, autógrafos. Com o tempo vou me acostumar.'' Só fica incomodada quando a comparam com Daiane. ''Ninguém pode ser comparada a ninguém. Ela (Daiane) fez muito pela ginástica. Eu quero ser a Jade, eu mesma.''
A fama, porém, não tem ajudado a atleta na hora de achar patrocinadores. Mesmo com três medalhas no Pan (ouro, prata e bronze), e o recente bronze no Mundial, ela ainda está sem apoio individual. ''Apareceu muita coisa. Mas não aceitei porque não conseguiria cumprir os compromissos. Eles exigem muito e, treinando o dia todo, fica difícil'', explica Jade ao lembrar que é seu pai, César, o responsável pela avaliação das propostas. César mora no Rio e Jade vive em Curitiba, com a seleção permanente.
A saudade da família vem sendo administrada, aos poucos, pela garota, que é muito apegada ao irmão mais novo, Pedro. Nos primeiros anos em Curitiba - ela chegou ao Paraná com 13 anos -, ligava sete vezes por dia para o pai. ''Agora nos falamos menos, acho que umas quatro vezes. E o Pedro já entende melhor a distância.'' A ligação com o irmão tornou-se maior após a morte da mãe, quando Jade tinha 9 anos. ''Não gosto de falar da minha mãe, porque fico triste. Mas tenho um carinho de irmã pelo Pedro. Sei que nunca vou ser a mãe dele.''
Jade chega à Alemanha sem contusões, mas com um problema recorrente: há um ano descobriu uma pedra nos rins, eliminada com laser. Antes do Pan, as dores voltaram. Um novo exame, na semana passada, constatou que Jade tem predisposição a ter cálculos renais. ''Estou sem dores'', afirma.

mockup