Jacques Villeneuve se diz favorito em 98
Jacques Villeneuve se diz favorito em 98
Livio Oricchio
Agência Estado
Arquivo FolhaVilleneuve
ataca
Schumacher
e diz
que a
McLaren
vai dar
muito
trabalho
nesta
temporadaMais vale uma imagem do que mil palavras, dizia o filósofo chinês Confúcio, 500 anos antes de Cristo. Não existe nada melhor para expor as várias faces do campeão do mundo, Jacques Villeneuve, que relacionar algumas de seus respostas coletadas ao longo do ano, sobre temas diversos. Elas falam por si. Gerhard Berger gostava de alimentar o título de último romântico que a Fórmula 1 lhe atribuía. Eddie Irvine fica feliz quando lhe dizem que é o mais maluco dos pilotos e Jean Alesi tem a fama, procedente, de temperamental demais. O marketing de Villeneuve é um pouco diferente.
Os italianos o definem de forma bastante particular: Seus pensamentos não passam pelo cervelletto (cerebelo), dizem, pretendendo desenhá-lo como uma pessoa que fala e depois vai pensar no que disse. Frank Williams o considera inteligente e Bobby Rahal, da F-Indy, acha Villeneuve um inconsequente. Michael Schumacher não abre o jogo, mas se pudesse classificaria seu maior adversário nas pistas como atrevido. Como Villeneuve ousou desafiá-lo, vencê-lo e, pior, desmascará-lo? deve pensar o alemão. Na coletânea a seguir Villeneuve, melhor do que ninguém, apresenta-se por inteiro.
Agência Estado:Jacques, um jornalista alemão publicou que você se masturba antes da largada de cada corrida, é verdade?
Villeneuve:Eu sou feito de carne e osso como você e tenho necessidades e desejos como todo ser humano.
AE:Porque você ficou tão irritado com algumas fotos publicadas na Alemanha, onde o Michael Schumacher aparecia com a mão no seu ombro?
Villeneuve>:Quem tirou as fotos foi a mulher dele. Era a festa da conquista do meu título, na Espanha. Já achei estranho vê-lo lá e fiquei ainda mais surpreso quando ele se aproximou de mim, no mesmo dia em que tentou me colocar para fora da pista. Aquelas fotos, produzidas por ele, eram para vender a idéia de que entre nós não havia inimizade ou coisa assim. É preciso que as pessoas saibam: com o Schumacher é sempre tudo falso.
AE:O que você acha da punição da FIA para o Schumacher depois do que fez na decisão do campeonato?
Villeneuve:(Risos). Esperava que fosse punido, mas não aconteceu nada. Achei estranho lhe tirarem o título de vice-campeão e ao mesmo tempo concordarem com seus pontos e vitórias para efeito de estatística. Não faz sentido. Disseram-me que o fato de ficar sem o vice significou que se tivesse conquistado o título não lhe entregariam. Ah eu acredito nisso mesmo!
AE:Você esperava que o Schumacher fosse tentar lhe colocar para fora da pista?
Villeneuve:Em que volta aconteceu mesmo? Só me surpreendeu o momento que ele tentou. Eu esperava que fosse bem antes.
AE:Qual sua expectativa para o mundial deste ano.
Villeneuve:Eu sou o favorito para vencê-lo. A Williams continua sendo uma equipe adiante da concorrência e o título do ano passado me fez mais forte mentalmente. Acho porém que a McLaren é forte candidata também.
AE:Agora que você já dirigiu seu carro, gostou do novo regulamento?
Villeneuve:Representa um atraso para a Fórmula 1. Os novos pneus baixaram tanto o nível de pilotagem que até pilotos medíocres terão condições de vencer as corridas. Estragaram o que a F-1 tinha de melhor: seu elevado limite, permitido apenas para alguns profissionais atingi-lo.
AE:Quando você estava no pódio da prova de Jerez, comemorando a conquista do título mundial, em algum momento seu pai lhe veio à mente?
Villeneuve:Se nem quando eu venci as 500 Milhas de Indianápolis eu lembrei dele não vejo motivo por que deveria fazê-lo quando fui campeão na F-1.
AE:Seu tio (irmão do pai), Jacques como você, reclamou bastante da sua distância da família. Disse que orientou sua carreira no início e até o seu capacete foi desenhado por ele. Hoje, no entanto, você sequer lhe telefona ou se importa com sua mãe.
Villeneuve:Meu tio falou aquelas coisas todas para a imprensa canadense por causa de dinheiro. No mínimo deseja que eu divida o que ganho com ele, o que não faço. Quanto a minha mãe, uma vez por mês, mais ou menos, nós falamos por telefone.





