Jacques Villeneuve critica a categoria
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quinta-feira, 24 de abril de 1997
Das Agências 
Ainda faltam 14 corridas, mas Jacques Villeneuve já fala como campeão. Ontem em Ímola, na Itália, não poupou críticas à Fórmula 1 e chegou mesmo a sugerir que poderia voltar para a Indy caso sua atual categoria perca a graça. Do alto de seus 20 pontos no Mundial, que lhe garantem o favoritismo para o GP de San Marino, neste fim-de-semana, o piloto canadense da Williams condenou as mudanças de regulamento já acertadas para 98. Vão estreitar os carros, colocar sulcos nos pneus e piorar a eficiência dos freios. Nada disso vai fomentar as ultrapassagens. O problema da F-1 é que os carros têm muita aderência, e não é mais possível pegar vácuo, declarou.
Quem ouviu ontem o jovem canadense de 26 anos ficou sem saber o que pensar a seu respeito. Na F-1 quase nunca se fala nada. Ontem ele disse tudo. Não tenho medo de morrer, a morte é natural, você nasce e então morre, mas claro que não faz sentido você apressar esse processo. Para ele, a F-1 é o máximo e tem de continuar assim. A graça desse esporte é o piloto buscar seus limites, correndo riscos, claro. O apelo de competir na categoria está na administração dessa procura pelo máximo. Estão pretendendo acabar com esse lado, que é o fascínio da coisa, acusa. Para o piloto da Williams, a atual segurança dos carros de F-1 é suficiente.
A morte de um peso pesado como Ayrton Senna causou a revolução pela busca de maior segurança na competição, segundo diz. Senna morreu ao vivo, na TV, o que acabou pegando muita gente pelas costas; o que sempre fez a F-1 popular foi a idéia de que os pilotos não eram seres normais, enquanto que agora eles não são mais especiais, apenas atletas. E vai mais longe: Corremos mais riscos nas ruas que nas pistas, essa é a nossa imagem hoje.
Perguntado se enviaria suas sugestões à Federação Internacional de Automobilismo (FIA), órgão máximo do automobilismo, Villeneuve disse: Falar, eu falo. O problema é alguém me ouvir.
Tanta reclamação acabou provocando perguntas sobre a Indy, para as quais o campeão de 95 nos Estados Unidos não economizou respostas. O dinheiro conta só até certo ponto. Se a F-1 perder a graça, e eu acho que isso vai acontecer se o regulamento for alterado, não vejo por que continuar, disparou.


