Uma velha tradição da Seleção Brasileira será mantida pelo técnico Wanderley Luxemburgo, em sua estréia no cargo: sempre que possível, há um convocado nascido ou revelado no Estado onde a equipe joga. Luxemburgo chamou ontem o meia Jackson, do Sport, para a partida do dia 23, contra a Iugoslávia, em São Luís, no Maranhão. Jackson é natural de Codó, no interior maranhense.
Tricampeão estadual pelo Maranhão Atlético Clube em 93, 94 e 95, Jackson é ídolo da torcida local. Mesmo sendo o jogador um dos destaques do Sport no Campeonato Brasileiro, a convocação de Jackson foi uma surpresa. Ele substitui o meia Pedrinho (Vasco), que fraturou a tíbia. É a primeira convocação de Jackson para a seleção, num amistoso que tem várias particularidades. Em vez de ser realizado à noite, começará às 17h, horário preferido pela televisão. A convocação de Jackson não foi necessariamente uma decisão diplomática de Wanderley Luxemburgo com a torcida maranhense. Mas ela se inscreve na tradição política do futebol brasileiro.
Zagallo, por exemplo, só foi convocar o atacante baiano Marcelo (Cruzeiro) para um jogo em Salvador. Durante o regime militar (1964-1985), quase sempre a seleção tinha um jogador local. Na Copa de 50, o técnico Feola mudou o meio-campo da seleção, escalando vários atletas do São Paulo, para um jogo no Pacaembu. Depois, no Maracanã, os jogadores do Rio voltaram à equipe.
O meia Jackson demorou a acreditar que havia sido convocado para a Seleção Brasileira, ao receber a notícia quando desembarcou no início da tarde de ontem no aeroporto dos Guararapes, no Recife. ‘‘Eu não esperava’’, repetia ele, ao mesmo tempo em que era ajudado a vestir uma camisa da seleção com a qual uma torcedora o presenteou. ‘‘É o grande sonho de todo jogador brasileiro’’, afirmou.
Jackson tem 25 anos, 1,68m e pesa 65 kg. Ele está no Sport há um ano e meio. A oportunidade de concretizar o sonho, segundo ele, deve-se ao trabalho que vem realizando no Sport. Bicampeão estadual, ele foi destaque no campeonato pernambucano do ano passado e considerado o melhor jogador da competição deste ano. Jogador de muita habilidade, movimenta-se bem em todas as faixas do campo e tem por característica a velocidade. ‘‘Jackson é um jogador versátil e moderno, tem ótimo caráter e é excelente profissional’’, elogia o técnico do Sport, Mauro Fernandes.
Antes de ser comprado ao Comercial de Ribeirão Preto por R$ 200 mil (hoje vale R$ 4 milhões), Jackson jogou como amador no Codó e iniciou a carreira como profissional, em 1992, no Maranhão, passando depois pelo Mogi Mirim (SP), Comercial e Goiás.

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