Quando chegar dezembro de 2005, enquanto a maioria dos mortais estará se preparando para as festas de final de ano e a visita do Papai Noel, eu estarei fazendo as malas e partindo pelo 19º ano consecutivo para o Rally Paris-Dakar. No meio do ano, aprontar as coisas para outra grande competição passou a ser um ritual na minha vida. Estou com a bagagem pronta para minha nona participação no Rally dos Sertões.
Este ano o Sertões comemora seu 13º aniversário, com várias novidades. A começar por seu percurso. Pela primeira vez a largada e a chegada será no mesmo ponto, a cidade de Goiânia. Lá, no dia 30 de julho, pela manhã, será disputada a primeira etapa em um circuito fechado, e à noite a largada promocional.
No dia seguinte a caravana parte para uma volta gigante no sertão brasileiro, com 4,5 mil quilômetros atravessando os estados de Goiás, Mato Grosso, que pela primeira vez faz parte do trajeto, indo até o Pará e voltando por Tocantins com uma passagem pelo deserto do Jalapão, para voltar ao Estado de Goiás, passar pelo Distrito Federal e chegar a Goiânia no dia 9 de agosto.
Serão 10 dias de disputas entre carros, motos e caminhões. Desta nova rota, por enquanto só tenho estas poucas informações, já que os organizadores mantém segredo do percurso, para que ninguém realize treinamentos ou monte bases avançadas de apoio.
Fomos avisados, quase advertidos, que esta será a edição mais difícil da prova. Dos 4,5 mil quilômetros totais, 3,5 mil serão por estradas de terra, que estão em condições bastante precárias.
Eu estarei pilotando o Mitsubishi L 200 Evolution da equipe Petrobras Lubrax, que será a única a estar competindo nas três categorias: moto, carro e caminhão. Com orgulho posso dizer que é a equipe que conquistou mais títulos na prova: oito vitórias.
Mas não pensem que foram vitórias fáceis ou que sempre terminamos a prova cobertos de glórias. Já passamos por maus bocados, alguns por erros nossos, outros por falhas de terceiros ou organizadores, como em 2003, quando o Jean Azevedo bateu em uma porteira que a organização deixou fechada, ou meu vôo sobre uma ponte, também por engano da organização. Como os danos só foram pessoais e materiais, aqui estamos de novo, animados para lutar pela vitória e preparados para enfrentar os riscos desta grande aventura.
Ajude-me a escrever o próximo artigo. Faça perguntas, envie sugestões e tire suas dúvidas através do site (www.parisdakar.com.br).

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