Já o taxista lamenta: Pessoal desaparece
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terça-feira, 16 de junho de 1998
Nelson Cilo 
Para algumas atividades, Copa do Mundo é lucro certo. Para outras, porém, o prejuízo é inevitável. Nos dias de jogos do Brasil, o taxista londrinense Valfrido Santos Cardoso, 52 anos, leva menos dinheiro para casa. Não tem jeito. Pára tudo. Não aparece ninguém aqui no ponto, revela. A cidade fica praticamente vazia, mas Valfrido não vai embora. Não vou lamentar prejuízos. Ligo meu pequeno televisor no carro e torço como nunca pela Seleção.
Segundo ele, o faturamento cai a quase zero durante os 90 minutos em que a bola rola em um jogo do Brasil. Às vezes, pinta uma corrida, mas não é fácil aparecer um cliente. O pessoal desaparece, constata.
Valfrido é torcedor do Londrina e do Paraná Clube. O rebaixamento do Tubarão deixou-o bastante frustrado. Fiquei decepcionado, mas fazer o quê? Agora, vamos ver se a gente volta à divisão principal em 99.
Outro taxista de Londrina, Paulo Tsurukawa, 54, não tem a mesma opinião de Valfrido: o movimento cai no momento de um jogo da Seleção Brasileira, mas aumenta nos instantes que o antecedem. Uma coisa compensa a outra, ele afirma. A maioria das pessoas vai para casa para ver a Seleção Brasileira. Vira aquele corre-corre e a gente consegue muitas corridas.
Mesmo que não fosse assim, Paulo acha que valeria a pena faturar menos em troca da alegria de uma vitória do Brasil. Até quem não gosta de futebol entra no clima.


