Para algumas atividades, Copa do Mundo é lucro certo. Para outras, porém, o prejuízo é inevitável. Nos dias de jogos do Brasil, o taxista londrinense Valfrido Santos Cardoso, 52 anos, leva menos dinheiro para casa. ‘‘Não tem jeito. Pára tudo. Não aparece ninguém aqui no ponto’’, revela. A cidade fica praticamente vazia, mas Valfrido não vai embora. ‘‘Não vou lamentar prejuízos. Ligo meu pequeno televisor no carro e torço como nunca pela Seleção.’’
Segundo ele, o faturamento cai a ‘‘quase zero’’ durante os 90 minutos em que a bola rola em um jogo do Brasil. ‘‘Às vezes, pinta uma corrida, mas não é fácil aparecer um cliente. O pessoal desaparece’’, constata.
Valfrido é torcedor do Londrina e do Paraná Clube. O rebaixamento do Tubarão deixou-o bastante frustrado. ‘‘Fiquei decepcionado, mas fazer o quê? Agora, vamos ver se a gente volta à divisão principal em 99.’’
Outro taxista de Londrina, Paulo Tsurukawa, 54, não tem a mesma opinião de Valfrido: o movimento cai no momento de um jogo da Seleção Brasileira, mas aumenta nos instantes que o antecedem. ‘‘Uma coisa compensa a outra’’, ele afirma. ‘‘A maioria das pessoas vai para casa para ver a Seleção Brasileira. Vira aquele corre-corre e a gente consegue muitas corridas.’’
Mesmo que não fosse assim, Paulo acha que valeria a pena ‘‘faturar menos’’ em troca da alegria de uma vitória do Brasil. ‘‘Até quem não gosta de futebol entra no clima.’’

mockup