Iziane leva vida de cigana para sobreviver no basquete
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quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
Agência Estado 
São Paulo - A ala Iziane, estrela da seleção brasileira feminina de basquete, carrega a vida em duas malas que estão sempre prontas para acompanhá-la no vaivém entre Brasil, Estados Unidos e Europa. Iziane leva vida de cigana, como a maioria das jogadoras brasileiras. Vaga de time em time - no exterior, a estrutura e o salário são infinitamente melhores - e faz contratos de poucos meses, para poder disputar diferentes campeonatos.
Numa mesma temporada, a maranhense de 25 anos jogou no Seattle Storm da liga norte-americana WNBA, defendeu a seleção brasileira no Pré-Olímpico das Américas, atuou pelo Spartak de Moscou e agora está na equipe de Ourinhos, onde deve ficar até o mês que vem. Antes de voltar para a WNBA, em abril, Iziane ainda poderá atuar dois meses na Europa.
''Tento carregar minha vida em duas malas'', diz a jogadora, que atualmente mora num hotel em Ourinhos. Ela conta que o laptop e a nécessaire de maquiagens são os itens mais indispensáveis da bagagem.
Nos últimos anos, o contrato mais longo que Iziane assinou foi o de sete meses com o time francês Aix-en-Provence (em 2002). Depois disso, teve rápidas passagens por diversos clubes. Como o Spartak de Moscou, com o qual recentemente rescindiu o contrato de dois meses para jogar o Campeonato Nacional no Ourinhos - a atleta terminou a fase de classificação como cestinha da competição, com 403 pontos em 16 jogos.
''Resolvi dar uma chance para o Nacional porque é um campeonato rápido, de novembro a fevereiro'', explica. ''Estou gostando, mas sei que o nível técnico poderia ser melhor.'' Para a atleta, os clubes estrangeiros são sempre a melhor alternativa. ''A estrutura das equipes e os salários são incomparáveis com os brasileiros'', lamenta. ''Por isso tem um monte de brasileiras jogando na Espanha e na França.''
Mas Iziane não pode reclamar. Teve tratamento especial e mereceu um contrato único com o empresário do setor agropecuário - e aficionado por basquete - Francisco Eroídes Quagliato, o sr. Chicão, de 70 anos.


