A Federação de Futebol da Iugoslávia conclamou ontem seus jogadores de futebol que atuam em clubes do exterior que se recusem a jogar em sinal de protesto, ‘‘enquanto durarem a agressões contra a Iugoslávia’’. A posição da federação é uma reação à decisão das forças da Otan que iniciaram anteontem bombardeios contra alvos na Iugoslávia em represália à resistência do governo de Belgrado a aceitar a fórmula de paz em Kosovo.
Os jogadores iugoslavos que atuam na Espanha abandonaram seu país ontem. Alguns deles, condenaram a intervenção militar ocidental. Pedja Mijatovic (Real Madrid), Goran Djorovic (Celta de Vigo), Goran Stankovic e Veljko Paunovic (Mallorca), Savo Milosevic (Zaragoza), Vladimir Jugovic (Atlético de Madrid), Albert Nadj (Betis), Slavisa Jokanovic (Tenerife), Miroslav Djukic (Valencia) e Darko Kovacevic (Real Sociedad) estavam concentrados na cidade de Subotica, região norte da Iugoslávia, onde se preparavam para a partida contra a Croácia pelas eliminatórias da Eurocopa 2000. Eles deixaram o país antes da operação militar contra o regime de Belgrado. A maioria deles chegou à Espanha de avião, via Budapeste, Viena ou Zurique.
‘‘Estou mal. Muito mal. Vocês sabem que estão bombardeando meu país’’, disse Mijatovic, que viveu ontem uma situação bastante semelhante à retratada por Roberto Begnini no filme ‘‘A vida é bela’’, ganhador de três Oscar em Holywood. Teve de entreter o quanto pôde, e por várias horas, o filho Luka, de seis anos, enquanto os dois atravessavam o país em um carro em direção à fronteira com a Hungria.
Assim como Begnini fez com o filho Guido no filme, quando ambos são levados a um campo de concentração, Mijatovic teve de desviar a atenção do menino que perguntava com insistência porque estavam viajando para a Espanha de carro quando normalmente iam de avião. Nascido em Podgorica, Montenegro, Mijatovic se viu obrigado a mudar de conversa várias vezes durante o trajeto.
No final, disse apenas para o filho que dentro de mais alguns anos, ele saberia as razões da viagem.

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