Itamar, o herói de 77
O Campeonato Paranaense de 1977 foi surpreendente. Ninguém imaginava que um clube do interior poderia desbancar o todo poderoso Coritiba, que vinha de seis títulos estaduais consecutivos e dominava o futebol paranaense na década.
O Galo não fez uma boa campanha na primeira fase e estava totalmente desacreditado. Um quadrangular definiria os dois finalistas e as três equipes da capital Atlético, Colorado e Coritiba já estavam classificadas para a fase decisiva, restando apenas uma vaga, definida na repescagem.
Mesmo não estando bem, o Galo conseguiu ser o campeão do Norte na época o Estadual era dividido em Norte e Sul e os vencedores disputavam a final e enfrentou o Rio Branco, de Paranaguá, campeão do Sul. Com alguns reforços, entre eles o centroavante Itamar, vindo do Palmeiras, o Grêmio venceu o primeiro jogo por 3 a 0, em Maringá. O segundo confronto terminou 1 a 1, no Litoral.
A semifinal seria disputada em turno e returno e o campeão de cada um se garantiria na final. Para surpresa de todos, o Grêmio, jogando um futebol bem diferente do apresentado nas fases anteriores, venceu o primeiro turno e se classificou para a decisão. O Coritiba venceu o returno.
A final seria disputada em uma melhor de três jogos, um em cada cidade e a terceira em Londrina, por ser campo neutro, sendo que se um dos times conseguisse uma vitória e um empate já seria campeão.
Na primeira partida, Aladim desperdiçou um pênalti para o Coxa logo no início. Já o centroavante Itamar não vacilou e aproveitou o cruzamento de Freitas para marcar o único gol do jogo. ''Mesmo perdendo, o Coritiba achava que o título estava no papo e eles até tinham reservado hotel em Londrina, crentes que iriam ganhar fácil da gente lá na capital'', lembra o centroavante, figura decisiva para a conquista e artilheiro do Paranaense com 14 gols em 13 jogos.
No Couto Pereira, o Coxa saiu na frente com o atacante Washington, logo aos 12 minutos do primeiro tempo. E para a surpresa de todos, aos 37 minutos, Itamar empatou o jogo, cobrando falta, e garantiu o título para o Grêmio. ''O Coritiba tinha um timaço, mas o nosso também era bom. Não importava se o jogo era em casa ou fora, a gente jogava sempre bem'', lembra Itamar.
A trajetória ''Não fui um craque, mas fazia a única coisa que sabia fazer: gols e muitos''. Assim Itamar Bellasalma, 53 anos, 38 deles dedicados ao futebol, se auto-define. O ex-centroavante e hoje técnico é apontado por grande parte da torcida de Maringá como o ''salvador da pátria'' e ''herói'' do título estadual de 1977.
Ele chegou à cidade no meio do Paranaense daquele ano, com status de estrela, afinal havia sido contratado junto ao Palmeiras, onde tinha sido campeão paulista e do torneio Ramón de Carranza, na Espanha.
No Galo, ficou marcado não só pelos gols. Itamar foi o primeiro jogador da história a ser negociado entre os rivais Grêmio e Londrina, logo no início de 1981, algo, até então, inimaginável. Mais que isso, foi campeão paranaense pelos dois times (77, pelo Galo, e 81, pelo Tubarão).
Viveu muitos momentos felizes e emocionantes em Maringá. ''O maior jogo que eu vi aqui no Willie Davids foi Grêmio Maringá x Grêmio Portoalegrense. Ganhamos de 2 a 1 com dois gols meus. Tinha umas 30 mil pessoas aqui'', revela.
Após encerrar a carreira, Itamar escolheu Maringá para morar, principalmente pelo amor pelo clube onde fez muitos amigos. (T.M.)





