Atacante rompedor, sem muita técnica, centrado na força física e no oportunismo dentro da pequena área. O ex-centroavante Itamar Bernardes, 45 anos, que assume hoje oficialmente o comando técnico do Londrina, carrega o mesmo perfil de coragem na profissão de treinador. Ao aceitar o maior desafio da carreira, assumir uma equipe que luta para se desvencilhar de uma temporada nefasta, Bernardes diz que não tem medo do que pode vir pela frente. ''Dentro de campo sempre fui um cara muito aguerrido, que tinha muito mais raça do que técnica. E crise? Não tenho medo de crise! Nestas horas que você enxerga os bons profissionais. Tenho certeza, é só os resultados aparecerem que ninguém falará mais nisso'', garantiu Bernardes, uma versão paranaense de ''Rei do Acesso''.
Dirigir o Tubarão sempre foi um sonho, por mais que ele tenha demorado para se realizar. Em outras temporadas, o nome de Bernardes chegou a ser ventilado, até favorito em algumas delas, mas nunca conseguiu conquistar o consenso necessário para se assinar o contrato. Desta vez, tudo foi diferente. Com pouco dinheiro em caixa, o clube optou por um treinador mais barato, dentro da nova velha realidade financeira do Tubarão. Palavra do próprio presidente Agostinho Garrote. ''Hoje ele é o homem ideal em todos os sentidos. Se enquadra em nossas condições (financeiras); e no futebol paranaense, ele tem uma história de sucesso, já provou isso com o trabalho nos últimos anos'', argumentou Garrote.
Embora o assunto tenha dominado o noticiário esportivo da semana passada, o presidente explicou a demissão do catarinense Abel Ribeiro, que gozava de certo prestígio com dirigentes e torcedores desde o final da Série B. Três fatores levaram Ribeiro a perder o emprego, segundo Garrote. O primeiro seria a exigência em permanecer morando em um hotel, sendo que o clube ofereceu duas opções de apartamento. O episódio foi interpretado como má vontade. Ribeiro também estaria ''minando'' as categorias de base, se recusando a utilizar jogadores dos juniores. Outra queixa da diretoria: a exigência de jogadores cujos salários inflacionariam a folha de pagamento do clube. Além disso, Ribeiro tinha um salário mais alto que seu sucessor. ''A questão do salário nem tanto, porque tínhamos combinado tudo. Mas no final das contas, juntou tudo e acabou influenciando'', disse Garrote.
Bernardes se apresenta com credenciais retiradas de edições passadas do Campeonato Paranaense. Em 2003, depois de reconduzir o Paranavaí à Primeira Divisão, disputou pela primeira vez uma decisão estadual. Antes disso, já havia levado o Nacional, de Rolândia, da Terceira para a Segunda Divisão, em 2002. Neste ano, dirigiu o mesmo Nacional na conquista da Série A-1 do Campeonato Paranaense. ''Estou acostumado a trabalhar em equipes com pouco dinheiro. A experiência que ganhei nestes clubes vai ajudar bastante aqui no Londrina'', ponderou.
Itamar Bernardes é paulista, natural de Batatais. Jogou no Marília, Juventus, teve uma passagem rápida pelo São Paulo e foi campeão paranaense pelo extinto Colorado, em 1980.

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