Itália tira forças da adversidade
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quarta-feira, 05 de julho de 2006
France Presse 
Berlim - Apesar do escândalo de corrupção que deixou quatro clubes de elite à beira do rebaixamento, da notícia da tentativa de suicídio do ex-jogador Gianluca Pessotto, das suspensões e dos atletas lesionados, a Itália demonstrou que tirou forças da adversidade para chegar à final da Copa do Mundo.
Na terça-feira, contra 60 mil alemães que transformaram o estádio de Dortmund em um caldeirão, os italianos acabaram com a invencibilidade da Alemanha nesta cidade e venceram a Mannschaft por 2 a 0, na prorrogação, deixando claro o desejo de conquistar o quarto título mundial do país.
Os gols da Squadra Azzurra foram marcados por Fabio Grosso e Alessandro Del Piero nos dois últimos minutos do tempo extra. Agora a Itália se prepara para a final de Berlim, no próximo domingo.
Os jogadores poderiam estar com a cabeça em outro lugar, abalados com o futuro incerto que os espera dentro de uma semana, quando os italianos voltarão para casa e terão que decidir se permanecem no Milan, Juventus, Fiorentina e Lazio, os clubes envolvidos no escândalo de partidas arranjadas.
Na terça-feira, poucas horas antes do jogo decisivo, o procurador da Federação Italiana da Futebol pediu o rebaixamento da Juventus para a terceira divisão e a queda de Milan, Lazio e Fiorentina para a Série B.
Dos 23 italianos convocados para o Mundial da Alemanha, 13 têm este problema concreto. Nove deles entraram em campo na terça-feira: Gianluigi Buffon, Gianluca Zambrotta, Fabio Cannavaro, Mauro Camoranesi, Gennaro Gattuso, Andrea Pirlo, Alessandro Del Piero, Luca Toni e Alberto Gilardino.
''É um sonho que se tornou realidade. Dominamos o jogo e fomos a melhor equipe. Os jogadores se superaram e foram exemplares. Fizeram realmente o que esperava deles, com muito entusiasmo. Estou muito orgulhoso desta equipe'', elogiou o técnico Marcello Lippi.
O grupo também foi alvo de duras críticas duras da imprensa, tanto italiana como alemã, que chegou a atacar os atletas com alguns clichês, como quando os chamou de ''mafiosos''. ''Não tenho muito para dizer, exceto que foi a vitória de um grupo muito unido. Repetimos permanentemente, mas é realmente um grande grupo'', afirmou Fabio Grosso, de 28 anos. ''É verdade que entramos em campo com muitas coisas dando voltas em nossas cabeças, mas agora podemos festejar'', disse.
Para Del Piero a noite anterior foi muito difícil, mas a revenche foi mágica e seu gol representou um alívio. Além de carregar o problema da Juve, tinha outra preocupação na cabeça: seu amigo Ginaluca Pessoto, 35 anos, está entre a vida e a morte, em um hospital, depois de uma tentavia de suicídio.
O meia fez uma visita relâmpago a Turim para visitar o ex-jogador. Outros atletas, como o goleiro Buffon, apontado por muitos como o melhor da Copa, confessaram que era quase impossível jogar futebol com o amigo lutando pela vida. ''Isto é para você, Gianluca'', gritou Del Piero antes de deixar o gramado de Dortmund na terça-feira.
Lippi, de 58 anos, também teve que administrar as lesões dentro do grupo para armar um time consistente. Antes do início da Copa, perdeu Gianluca Zambrotta e Gennaro Gattuso, depois sofreu com a lesão muscular do zagueiro titular Alessandro Nesta, que foi substituído por Marco Materazzi, que por sua vez foi expulso nas oitavas-de-final contra a Austrália (1 a 0) e substituído pelo novato Andrea Barzagli nas quartas-de-final contra a Ucrânia (3 a 0).
O meio-campo foi afetado com a expulsão do volante titular Daniele De Rossi, que deu uma cotovelada no americano Brian McBride em um jogo da primeira fase e recebeu uma suspensão de quatro partidas. O jogador poderá voltar ao time para a final de Berlim.
Além disso, o camisa 10 da seleção, Francesco Totti, chegou à Copa longe da melhor forma, já que sofreu uma fratura no pé direito em fevereiro e voltou aos gramados um pouco antes do início do Mundial da Alemanha. Diante de todos os inconvenientes, nada conseguiu parar a Itália, que mostrou força e valentia para chegar à sexta final de Copa do Mundo.


