Itália tenta assimilar vexame
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quarta-feira, 15 de novembro de 2017
France Presse 

Roma - Superada a fase de comoção e decepção, a Itália acordou resignada nesta terça-feira (14) por não participar da Copa do Mundo da Rússia em 2018, competição que a Azzurra deixa de disputar pela primeira vez em 60 anos. "Apocalipse" e "vergonha": a imprensa italiana pesou a mão nas críticas à eliminação da equipe contra a Suécia, pela repescagem para o Mundial do ano que vem. A tetracampeã do mundo vai ficar de fora da competição pela primeira vez desde 1958.
O jornal Corriere della Sera, com a maior tiragem do País, colocou na manchete o seguinte título: "Sem Mundial 60 anos depois", com a foto do capitão Gianluigi Buffon chorando.
"Um Mundial sem Itália, mas sobretudo uma Itália sem Mundial. Adeus às noites mais ou menos mágicas, aos torcedores com um pedaço de pizza ou uma cerveja gelada, à ilusão de ter peso em algo, pelo menos no futebol", escreveu Massimo Gramellini em sua coluna.
Vários pilares da Azzurra, como "Gigi" Buffon, com 20 anos de seleção nas costas, anunciaram na segunda-feira que deixariam a seleção nacional. Outros estão próximos de seguir o exemplo.
Nas ruas, na imprensa e nas redes sociais, as críticas se concentravam no técnico Giampiero Ventura e no presidente da FIGC (Federação Italiana), Carlo Tavecchio. A FIGC vai se reunir nesta quarta-feira em Roma para "fazer uma análise profunda e decidir o futuro da Azzurra", anunciou o presidente nesta terça.
Perdas econômicas
Como lembrou o jornal La Repubblica, a derrota "terá repercussões negativas não só no futebol, mas no PIB do País". Isso acontece justamente em um momento em que a Serie A dá sintomas de recuperação de prestígio, com um campeonato disputado e com atuações destacadas das equipes do País na Europa.
"É um dia muito triste do ponto de vista esportivo. Está claro que é preciso refundar o mundo do futebol e que é preciso tomar decisões que não tivemos coragem de tomar nos últimos anos", declarou o ministro de Esportes Lucca Lotti à imprensa, em reunião do Coni (Comitê Olímpico Italiano). "Não nos demos conta de que existe algo que não funciona no futebol italiano", declarou Lotti, lembrando que a Itália foi eliminada duas vezes seguidas na fase de grupos do Mundial, depois de conquistar a edição de 2006.
Segundo as estimativas da imprensa, a FIGC vê escapar aproximadamente 100 milhões de euros em valores que chegariam desde a premiação da Fifa aos times classificados até os descontos que os 21 patrocinadores da seleção devem aplicar no ano que vem. A negociação dos contratos antes do Mundial do Catar-2022 também seria prejudicada.
Além disso, a derrota supõe uma perda econômica para Rai e Sky, as duas redes de televisão que compartilham os direitos de transmissão. Nesta terça-feira, o grupo midiático RCS, proprietário do jornal esportivo La Gazzetta dello Sport, viu suas ações despencarem na Bolsa de Milão.


