Hamburgo - Foi mais fácil do que a própria Itália poderia esperar. Jogando bem apenas no segundo tempo, a Squadra Azzurra se classificou para enfrentar a Alemanha nas semifinais da Copa do Mundo, na terça-feira como em 1970, no México ao golear a Ucrânia por 3 a 0, ontem, em Hamburgo. Tricampeã mundial, em 1934, 1938 e 1982, a Itália pode não encantar, mas mostrou que por sua tradição, pela defesa forte e pelo talento de alguns jogadores, como Totti, pode lutar pelo que seria seu quarto título mundial. Desde o Mundial dos Estados Unidos, em 1994, a Itália não ia às semifinais.
O confronto será o quinto entre Itália e Alemanha na história das Copas. Até aqui, a vantagem é dos italianos, que têm duas vitórias e empataram outras duas vezes. Com o triunfo de ontem, os italianos mantiveram uma invencibilidade em Copas disputadas na Europa que se mantém há 32 anos. Desde 1974, quando perdeu para a Polônia, a Itália acumula 24 jogos sem derrotas em torneios mundiais disputados no velho continente, tendo sucumbido apenas nos pênaltis, em 1990 e 1998.
Além disso, sob o comando de Lippi, a ''Squadra Azurra'' está invicta há 23 jogos, com 14 vitórias e nove empates. O último revés da equipe foi contra a Eslovênia, em 2004.
No primeiro tempo, porém, italianos e ucranianos ofereceram ao público um ''anti-espetáculo'', sem atrativos. À exceção do gol de Zambrotta e de toques com estilo de Totti, a Azzurra voltou a justificar o conceito de que é uma das equipes mais monótonas da competição. Marcava forte, mas não pressionava.
Se a equipe italiana não era brilhante, do lado amarelo do campo a situação era ainda pior. A Ucrânia se mostrava forte e empenhada concorrente da Itália no esforço de não mostrar algo interessante.
Menos mal para a Itália, que logo aos 5 minutos, abriu o placar. O talentoso Totti se livrou de um marcador com um toque de calcanhar e passou para o lateral direito Zambrotta, que entrou em diagonal e chutou da entrada da área. O goleiro Shovkovsky ainda tocou na bola, mas não teve forças para desviá-la: 1 a 0.
O técnico ucraniano Oleg Blokhin ainda tentou mudar seu time, substituindo o zagueiro Sviderskyi pelo atacante Vorobey, na metade da primeira etapa. Entretanto, a Ucrânia não tinha talento para furar o bloqueio da Itália no meio-campo. Para que se tenha uma idéia da monotonia, a primeiro ataque ucraniano se deu aos 27, num cruzamento de Tymoshchyuk, o artilheiro Shevchenko, radicado há anos na Itália, cabeceou torto.
Na segunda etapa, as equipes, até então sonolentas, despertaram. Curiosamente, a Ucrânia começou melhor. Aos 4 minutos, Kalinichenko cruzou da esquerda, e o zagueiro Barzagli cortou de qualquer maneira, quase marcando contra. A bola foi a escanteio, o primeiro emtodo o jogo. Na cobrança, Shevchenko mandou a bola na trave, de cabeça. A Ucrânia parecia mesmo acordada. Aos 13, perdeu duas vezes, primeiro com Gusev e depois com Kalinichenko. Um minuto depois, se a Ucrânia não soube marcar o gol, a Itália lhe ensinou como se faz. Totti centrou da esquerda, o zagueiro Cannavaro (impedido), não alcançou a bola, que foi para a cabeça de Toni: 2 a 0.
Era outro jogo, com outra velocidade e chances para ambos os times. Aos 17, a Ucrânia voltou a desperdiçar uma chance, com Gusin cabeceando na trave. Aos 21, o ucraniano Nesmachny derrubou Camoranesi na área, mas o juiz Frank de Bleeckere não marcou o pênalti. Três minutos depois, Zambrotta, lateral direito mas deslocado pela esquerda, se livrou de Vashchuk e cruzou no pé de Toni: 3 a 0.
Completamente perdidos, os ucranianos ainda tentaram o gol de honra, com Shevchenko e Kalinichenko, mas sem sucesso, enquanto Totti ainda despediçou a oportunidade de marcar o quarto gol.

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