Hamburgo - Adversários de pouca ou nenhuma tradição, atuações insossas porém suficientes. Até aqui, a campanha da Itália na Copa da Alemanha não tem sido muito diferente da que culminou com a conquista do tricampeonato, na Espanha, em 1982. Mas para a história se repetir, é preciso despertar, como na tarde de 5 de julho daquele ano no Estádio Sarriá, quando a seleção de Enzo Bearzot surpreendeu o Brasil e abriu as portas para o título. Na visão dos italianos, o limite entre a mediocridade e o bom futebol é a partida de hoje, às 16 horas, contra a Ucrânia, em Hamburgo, ainda que para o técnico Marcelo Lippi as coisas não estejam tão ruins assim.
''Acho as críticas exageradas. Estamos jogando com entusiasmo em meio a tantos problemas'', disse Lippi, referindo-se às contusões de jogadores importantes antes do Mundial. ''Não se pode generalizar porque, em duas ou três partidas, não jogamos o futebol que vínhamos apresentando.''
Nenhuma seleção no mundo parece dominar tão bem a arte de vencer sem convencer como a Itália. E não é por falta de bons jogadores. Em 1982, por exemplo, havia uma constelação deles no time que passou da primeira fase após três empates com Polônia, Peru e Camarões. A fartura daquele tempo não existe mais. A tarefa de mudar o cenário da água para o vinho como fizeram Cabrini, Antognioni, Tardelli e o iluminado Paolo Rossi cabe a um só. Francesco Totti é quem melhor representa a idolatria dos italianos pelo futebol, quem eles acreditam ser capaz de operar um milagre na Alemanha e, como de costume, o pivô da polêmica entre a imprensa e o treinador da seleção nacional, que não pode faltar em se tratando da Squadra Azzura.
''Vocês dizem que tenho problemas com Totti, mas esperei dois meses pela recuperação dele e o pus para jogar nas primeiras três partidas para que pegasse ritmo. Se isso é ter problema com um jogador...'', resmungou Lippi.
De fato, Totti está mais para solução do que problema na cabeça do treinador, cuja preocupação é encontrar uma formação equilibrada para enfrentar a Ucrânia, uma equipe ''atlética e interessante''sob seu ponto de vista . A grande dúvida de Lippi é lançar uma formação mais ofensiva, com dois atacantes Toni e Gilardino ou apenas um deles, no caso Toni, com Totti sendo o elo de ligação com um meio-campo mais marcador do que propriamente criativo formado por Gattuso, Perrota, Pirlo e Camoranesi. Barzagli formará dupla de zaga com Canavarro no lugar de Nesta.
Apesar do pouco que apresentou, a Itália entra em campo como favoritíssima à uma vaga na semifinal para enfrentar o vencedor do duelo entre Alemanha e Argentina. Como a Croácia em 98 ou a Turquia em 2002, a Ucrânia nada mais é do que a zebra da Copa do Mundo, que chegou onde chegou muito em função dos adversários que enfrentou, como Tunísia, Arábia Saudita e Suíça. Quando teve uma equipe mais experiente pela frente, como a Espanha, foi goleada por 4 a 0. Lippi montou um esquema de marcação especial para conter Shevchenko. Os italianos não querem ser surpreendidos por um ''monstro'' que ajudaram a criar. No fim das contas, se chegarem às semifinais num ano em que o país viu novamente seu futebol mergulhar no mar de lama descortinado por mais um escândalo de corrupção, os italianos se darão por satisfeitos.


ITÁLIA
Buffon; Zambrotta, Cannavaro, Barzagli e Grosso; Perrotta, Pirlo, Gattuso e Totti; Gilardino e Luca Toni. Técnico: Marcello Lippi

UCRÂNIA
Shovkovskiy; Rusol, Svidersky e Nesmachny; Gusev, Tymoshchyuk, Shelayev, Kalinichenko e Vorobei; Shevchenko e Rebrov (Milevskiy). Técnico: Oleg Blokhin

Árbitro: Frank de Bleeckere (BEL)
Estádio: AOL Arena, em Hamburgo
Horário: 16 horas

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