Itália ignora retrospecto contra rival
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quinta-feira, 06 de julho de 2006
Fábio Juppa eFernando Duarte<br> Agência O Globo 
Duisburg - A estatística é a base de toda tradição. Se fosse sinal de favoritismo, a Itália, que entrou em campo contra a Alemanha respaldada por uma invencibilidade de quatro jogos em Copas do Mundo, seria a zebra na final de domingo com a França. Apesar dos três títulos que possui, um deles conquistado na casa da rival, em 1938, o retrospecto recente aponta uma ampla superioridade dos franceses. Mas ao contrário do sentimento que alienou o Brasil, a história, neste caso, não alimenta sede de vingança. Para bordar mais uma estrela no peito, os italianos preferem apostar no amadurecimento de um time que, ultimamente, tem encarado de frente, e vencido, os obstáculos que apareceram pelo caminho.
''Queremos mudar esse retrospecto contra a França, mas não vemos essa final como uma oportunidade de vingança. É, sim, uma ocasião única para todos nós que estamos envolvidos'', disse o zagueiro Materazzi, confirmado na decisão como titular no lugar de Nesta, que não se recuperou a tempo de uma lesão muscular.
A Itália venceu a França pela última vez na primeira fase da Copa da Argentina, em 1978, por 2 a 1. Desde então, só perdeu ou empatou, e quando foi necessário decidir nos pênaltis, também acabou derrotada. Foi assim nos Mundiais do México, em 86 (2 a 0, nas oitavas-de-final), da França, em 1998 (derrota nos pênaltis, nas quartas) e na final da Eurocopa de 2000, com um gol de ouro de Trezeguet. Dois amistosos em 1994 e 1997 0 a 1 e 2 a 2 completam o histórico. Em virtude dos resultados, houve quem dissesse, antes da semifinal contra a Alemanha, que a ''Azzurra'' passaria pelos anfitriões, mas daí a ganhar da França numa eventual decisão havia uma grande distância. O ponto de encontro é o Estádio Olímpico de Berlim.
''Achava a Alemanha favorita contra nós por determinados motivos, agora acho a França'', afirmou Alessandro Del Piero. ''Eles chegaram até aqui com menos estresse, temos mais um grande desafio''.
Para superá-lo, o maior trunfo dos italianos é um conjunto que ganhou solidez nos últimos dois jogos, muito em função dos desempenhos dos laterais Zambrotta e Grosso, do zagueiro Cannavaro e dos meias Pirlo e Gattuso. Quem também alimenta a esperança de dias melhores contra os franceses para a final é o próprio Del Piero. ''Para mim, não importa agora quantos minutos vou jogar, tenho que aproveitar o tempo que estiver em campo'', disse. ''Jogar uma final de Copa do Mundo era um dos três ou quatro sonhos que tinha quando garoto''.


