Johannesburgo - Questionar os jogadores da seleção brasileira sobre deficiências da equipe é motivo para que o técnico Dunga e o auxiliar Jorginho fechem a cara. Duvidar da possibilidade da conquista da Copa do Mundo da África do Sul então é ofensa grave, antipatriotismo. Pois a atual campeã do mundo, a Itália, convive há dias com a desconfiança em relação às chances de conservar a taça ganha em 2006. Mesmo assim ninguém perde o bom humor e a educação na Azzurra. Nem a convicção.
Um dia depois do técnico Marcello Lippi, ontem foi a vez do lateral-esquerdo Zambrotta ser bombardeado com perguntas sobre a fragilidade italiana. Claro, ele discordou, como seu chefe. No entanto, em nenhum momento perdeu a serenidade.
Para Zambrotta, é até parte do script da imprensa e da torcida duvidarem da Itália. ''Sempre foi assim, não é novidade para nós. Isso não é problema'', disse o jogador. ''Esse descrédito nos une ainda mais, mas não pensando em responder a ninguém. É que nos dá mais força.'', acrescentou.
O jogador do Milan entende até que a seleção da Itália deu alguma razão para a desconfiança, por conta dos pálidos resultados em jogos oficiais, entre eles os das Eliminatórias, nos últimos anos. ''Temos de reconhecer que outras seleções se saíram melhores do que nós. Mas não se deve esquecer que somos os atuais campeões (mundiais)'', lembrou.
Aos 33 anos, Zambrotta é um dos muitos jogadores experientes da seleção italiana - criticada entre outros motivos por ser considerada envelhecida. Os novatos, no entanto, pensam da mesma maneira. O meio-campista Montolivo, de 25 anos, diz que as críticas estimulam o grupo. ''Nos faz dar um algo a mais'', disse.
Jogador da Fiorentina, Montolivo está ansioso por outro motivo: ele é um dos candidatos a substituir Pirlo na estreia contra o Paraguai, dia 14, em Cidade do Cabo. O titular ainda trata de uma contusão na panturrilha e só deve estar apto para a terceira partida da Itália, contra a Eslováquia.

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