São Paulo - Pelé está preocupado com a possibilidade de o Brasil dar vexame na Copa do Mundo de 2014. Em evento de um de seus patrocinadores, realizado ontem em São Paulo, o Rei do Futebol acredita que a preparação do País para o evento está bastante atrasada, de forma que já há possibilidade de algumas obras prioritárias não ficarem prontas a tempo. ''O Brasil corre um grande risco de envergonhar a gente (os brasileiros) pela maneira como administra a Copa''.
Pelé reivindica maior agilidade até porque seu nome está envolvido na conquista da organização da competição. ''Isso está realmente nos preocupando, até por tudo o que a gente fez, viajando pelo mundo para pedir votos. O Brasil tem a obrigação de fazer uma boa Copa, mas infelizmente já está atrasado. E ainda tem a polêmica com São Paulo...''
Pelé não se conforma com a indefinição sobre o estádio paulista. ''(São Paulo) é a base do futebol brasileiro. (Os paulistas) deveriam ser os primeiros a definir (o estádio) e ele não está definido'', alertou. Segundo o Rei, a comunicação é outro problema sério, mas o que realmente tem incomodado são os aeroportos. ''É o que está assustando mais. E não é só brasileiro que está preocupado. Recentemente conversei com o grupo do Platini (presidente da Uefa) e eles também estão'', complementou.
Pelé, no entanto, ressalta que não seria justo comparar a preparação brasileira para a Copa com a da África do Sul. Segundo ele, o número de sedes do último Mundial era muito menor do que no Brasil de forma que o último Mundial não pode servir de referência. ''E eles (sul-africanos) tiveram ajuda de pessoas como o Bono Vox, o Bill Gates'', lembrou o Rei do Futebol.
Ronaldo e Ganso
O dia estava para ''puxão de orelhas'' e Pelé reservou um carinhoso para Ronaldo e outro, nem tanto, para Paulo Henrique Ganso. O Rei fez questão de discordar das declarações do Fenômeno na entrevista de despedida, nas quais se desculpava por seus fracassos. ''Não acho que ele seja um fracassado'', disse o Rei, lembrando que Ronaldo brilhou nos vários países nos quais jogou e que altos e baixos fazem parte da vida de um atleta.
Pelé, porém, confessa que, no que diz respeito à aposentadoria, faria opções diferentes das de Ronaldo. ''Teria parado um ano e meio atrás, quando o Corinthians ganhou os títulos, como campeão''. O Rei ponderou, no entanto, que é muito difícil para um jogador saber a hora certa de anunciar a aposentadoria.
Pelé também comentou as recentes especulações sobre a saída de Paulo Henrique Ganso do Santos. ''Não conversei com Ganso, mas fico triste ao ouvir falar de um jogador que ainda não chegou à seleção e ainda não teve destaque internacional pode mudar de equipe por causa de dinheiro''. O Rei acredita que a situação é resultado mais da ação dos empresários do que do meia e prega paciência. ''Quando voltei para o Santos da Copa de 1958 era o sexto salário do time e esperei um ano e meio até o reajuste na renovação de contrato''.

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