Quem imaginava que a semana que começou fervendo para o Londrina terminasse pegando fogo se enganou. Os jogadores reencontraram a imprensa num clima de total alegria, descontração e confiança na classificação às semifinais do Campeonato Paranaense. A semana de isolamento em um hotel fazenda desfez o clima pesado que ficou sobre o clube após o empate com o Rio Branco, em 1 a 1. As brincadeiras voltaram, os sorrisos também e o grupo está mais unido.
O principal símbolo dessa mudança é o veterano atacante Donizete. Aos 37 anos, parecia um garoto no hotel fazenda. Não deixava ninguém de fora das brincadeiras. Mas o jogador também foi importante na hora de falar sério. Reuniu o grupo e cobrou um pacto pela classificação.
''Foi muito bom vir para cá esfriar a cabeça um pouquinho. Chegou a hora de retribuírmos a grande confiança que o professor (o técnico Vica) tem na gente. É a hora em que cada um tem que dar o máximo e ter confiança em si. Se não tiver, é melhor ficar em casa. Se o professor confia na gente por quê não vamos confiar? Foi o que passei para eles'', revelou o Pantera, que formará dupla de ataque com Eduardo. Bruno está suspenso.
Donizete prometeu uma grande atuação em Paranaguá, amanhã, às 15h30, no jogo de volta com o Rio Branco e, se possível, com gol. ''Espero marcar, mas o importante é a classificação. Prometo correr para fazer um gol. Se fizer dois, melhor. É um campo pequeno e teremos mais chances'', prometeu.
O meia Andrezinho, outro que chamou a responsabilidade, também comentou sobre o pacto. ''Todo mundo está na cabeça que é o jogo de nossas vidas. Tem que dar tudo o que puder e deixar o campo ciente que deu o máximo de si. Se eles vencerem, é porque foram melhores. Mas quando acabar o jogo temos que olhar no olho e saber que demos o máximo'', avisou.
Em sua ''preleção'', Donizete ainda usou exemplos de quando estava no auge da carreira e colecionava títulos. ''Não adianta ficar com medo dos caras porque estão jogando em casa, com torcida em cima. Já fui campeão várias vezes dentro da casa dos caras. Em 95 foi assim, em 98, na Libertadores, também, e ainda ganhamos o Rio-São Paulo no Morumbi'', lembrou.
Na final do Campeonato Brasileiro de 95, o Botafogo de Donizete conquistou o título ao empatar com o Santos fora de casa. Também longe da torcida, em 98, o Vasco venceu a Libertadores em Guayaquil, no Equador, batendo o Barcelona por 2 a 0. No mesmo ano, passou pelo São Paulo na semifinal e pelo Santos na final do Torneio Rio São-Paulo, ambos no Morumbi. Em todas as ocasiões, Donizete, que já participou de 22 decisões, esteve em campo.

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