Isnard Cordeiro
Isnard Cordeiro
Esse futebol maravilhoso e confuso
Já tive a oportunidade de ver campeonatos dos mais confusos neste Brasil afora. Regulamentos ridículos que levam os clubes a passar momentos incríveis. Lembro de uma certa ocasião, que o Nacional, de Manaus, tinha que perder um jogo para obter sua classificação à segunda fase da competição. No Campeonato Gaúcho, o Grêmio chegou a jogar três jogos num mesmo dia. Este ano, lá mesmo no Rio Grande, o Brasil, do amigo Flávio Campos, pode ser campeão do Estado, mas ao mesmo tempo rebaixado à Segunda Divisão de lá.
No Rio de Janeiro a confusão é tanta, que o Vasco já comemorou o título e ainda correm, nos tribunais, protestos e mais protestos, com WO de monte e a briga de presidentes do Flamengo, Fluminense e Vasco, de um lado, contra o Vasco e Eduardo Viana, da Federação, do outro. Pior de tudo isso é que nessa guerra indecente, jogadores e torcedores ficam no meio sem entender o que está acontecendo. Uma pena mesmo tudo isso.
O pior, no entanto, não é essa situação atual. O que acho triste é que não existe nenhuma perspectiva de que possam surgir dirigentes com a pré-disposição de mudar o quadro de tantas confusões e acusações, às vezes até fortes, mas que não resulta em absolutamente nada. Briga de dirigentes e CPI de arbitragens, no Brasil, servem apenas para promover pessoas que nunca poderiam ocupar cargos, onde a coisa é séria. Não me lembro de quando algum dirigente tenha sido punido e ele tenha sido realmente afastado do cargo e de vergonha desapareceu.
Fico imaginando se o Brasil tivesse uma organização como têm os japoneses e norte-americanos, que sabem como promover campeonatos. Pena que lá eles não têm tantos craques como temos por aqui. Muito se tem falado do Campeonato Paulista. Perfeito, com dinheiro, bom patrocínio e tudo mais. Mas uma arbitragem, que para muitos foi comprada, foi o bastante para dar a imagem do que é futebol brasileiro.
Há pouco tempo passei quatro dias em Curitiba. E o assunto lá é de que o Londrina - a exemplo Fluminense e Bragantino, no Nacional - não será rebaixado. Fala-se na realização de uma competição nos moldes de como foi o Paulistão (não sei se com árbitro argentino na semifinal), com Coritiba, Atlético, Paraná e Londrina entrando apenas na segunda etapa. É aquela velha história, que o campeonato sem o Londrina não é o mesmo. Quer dizer, se em todos os cantos do Brasil campeia a imoralidade, por que não no Paraná, não é mesmo?
- Mais uma contradição do Zagallo: ele diz que tem pouco tempo, mas libera os jogadores por cinco dias, o que ele nunca fez, quando integrou comissões técnicas.





