Isnard Cordeiro
O futebol menor do Paraná vivia apenas de campeonatos de cidades no início da década de 70. De amador, só a Taça Paraná e mais nada. Até que um dia o Matsubara contratou Luiz Carlos de Oliveira, o Bolão, para iniciar um trabalho de base. E Bolão trouxe não idéias e jogadores, mas disposição e vontade de mudar a coisa no nosso Estado. E conseguiu, porque no ano seguinte saiu o primeiro Campeonato Paranaense de Juvenil, integrando todo o Paraná. O troféu levou o nome de João Milanez, diretor presidente da Folha. Título para o Londrina.
Mas Bolão fez mais que isso. Em 77, uma seleção brasileria juvenil (hoje a junior ou sub-20) convocou dois jogadores do Paraná: João Carlos e Gritti, que Bolão trouxe consigo. Uma contusão tirou João Carlos do Mundial da Tunísia, mas Gritti foi terceiro colocado. A Rússia foi a campeã. Depois daquela vez, passou a ser comum jogador do Matsubara nas seleções menores do Brasil. O saudoso Djalma Baia, Newmar, Souza, Costa, Mario Sérgio, Toninho Carlos e tantos outros. Se nos dias de hoje o Paraná tem atenção por parte dos treinadores das seleções nacionais, é porque o caminho foi aberto por Bolão.
E o Paraná perdeu Bolão. O futebol, que teve tantas revelações feitas por ele, perdeu Bolão. Quase que solitário, num apartamento de hotel, em São Paulo, Luiz Carlos de Oliveira (que por coincidência é meu conterrâneo), morreu. Ele era um dos mais bem informados homens ligado ao futebol e conhecia quase que todos. Sabia muito e passou quase tudo para seus amigos. Adeus Bolão.





