Cuiabá - Acordar cedo, em um lugar onde a temperatura média está próxima de 0ºC. Vestir-se com terno e gravata e um elegante sobretudo. Pegar seu carro e se dirigir ao escritório central de um banco de investimentos. Lá, permanecer durante oito horas, todos os dias, cuidando do dinheiro de empresas e pessoas físicas. Pode parecer incrível, mas esse executivo de finanças tem chance de estar no campo amanhã, em Cuiabá, para enfrentar a seleção brasileira de futebol.
Trata-se do meia da seleção da Islândia, Einar Danielsson. Aos 32 anos e com a experiência de quem é lembrado nas convocações desde 1993, o jogador-executivo é um exemplo típico da equipe escolhida pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para o amistoso. Na delegação islandesa que está na capital mato-grossense, a maioria é formada por atletas amadores.
Além do especialista em finanças, pode-se encontrar professores e estudantes universitários e empresários. Talvez isso justifique o retrospecto do país. Até hoje, a seleção disputou 305 partidas. Foram 82 vitórias, 53 empates e 170 derrotas, com 343 gols marcados e 555 sofridos. O principal jogador islandês é o atacante Eidur Gudjohnsen, do Chelsea, da Inglaterra. Já o histórico diante do Brasil é pequeno. Até agora apenas um jogo foi disputado, em Florianópolis, no dia 3 de maio de 1994. O amistoso, então preparatório para a Copa do Mundo dos Estados Unidos, foi vencido pelos brasileiros: 3 a 0.
Mas essa condição parece não incomodar muito os atletas adversários. Danielsson, por exemplo, afirmou que não se sente frustrado por não poder viver exclusivamente do futebol. ‘‘Nosso país é pequeno e por isso não temos campeonatos muito fortes, que repercutam e atraiam investimentos’’, explicou.

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