Das Agências
De Suzuka, Japão
Em Suzuka, onde no domingo acontece o GP do Japão, última etapa da temporada, o norte-irlandês Eddie Irvine disse ontem que teme por um pacto entre os times ingleses na decisão do Mundial de F-1. Para o piloto, da italiana Ferrari, a McLaren, uma equipe inglesa, poderia receber ajuda de suas ‘‘co-irmãs durante a prova. ‘‘O David (Coulthard) e o Mika (Hakkinen) devem tentar me colocar entre os carros da Stewart, da Jordan e da Williams , disse Irvine. ‘‘Isso poderia nos causar problemas. Teremos que ser cuidadosos. E não podemos relaxar’’, disse o irlandês. Irvine lidera o Mundial de Pilotos, com quatro pontos de vantagem (70 a 66) sobre Hakkinen, da McLaren.
Para ser campeão e tirar a Ferrari de uma fila de 20 temporadas sem títulos, o norte-irlandês pode até chegar atrás de Hakkinen ou abandonar a prova, dependendo do resultado do adversário. Já o finlandês tem duas missões: precisa chegar a frente de Irvine e conseguir um lugar no pódio para conquistar o bicampeonato.
A rixa na F-1 das equipes inglesas contra a Ferrari não é nova. O caso mais recente aconteceu na temporada de 1997, quando a McLaren se uniu a Williams, que então disputava o título com o canadense Jacques Villeneuve. Na última etapa do campeonato, em Jerez de La Frontera (Espanha), os ingleses bloquearam o avanço do ferrarista Michael Schumacher, dando o campeonato a Villeneuve. Depois que o alemão abandonou a prova, Villeneuve, já campeão, abriu passagem para uma dobradinha da ‘‘parceira’’ McLaren.
Hoje, propositadamente, a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) promoverá em Suzuka uma entrevista coletiva que deve acirrar o debate. De um lado, Ron Dennis, chefe da McLaren, Coulthard e Hakkinen. Do outro, Jean Todt, chefe ferrarista, Irvine e Schumacher.
Atracão – Endossando a tese da McLaren de que a Ferrari só foi absolvida no julgamento da FIA porque isso era ‘‘excelente para o campeonato’’, os promotores do GP do Japão estão comemorando. ‘‘Ficamos satisfeitos com a solução do caso. A venda de ingressos já está aumentando’’, diz uma nota divulgada pela assessoria da prova, para, depois, tentar esquentar o evento: ‘‘Vai ser uma batalha como raras na história do esporte .
Tercerização – O empresário Bernie Ecclestone, dono do grupo empresarial que administra a parte comercial da F-1, fechou ontem um acordo que promete agilizar a entrada da categoria na Bolsa de Valores. Ecclestone, vice-presidente da FIA (Federação Internacional de Automobilismo) e homem forte da Foca (associação dos construtores), está vendendo a metade de seu império na F-1, avaliado em US$ 2,6 bilhões (cerca de R$ 5,2 bilhões), para o Deutsche Bank, um dos principais bancos da Alemanha. A venda de parte de seu patrimônio indica uma jogada de Ecclestone para ganhar força e alcançar o que almeja há alguns anos: lucrar com o lançamento de ações da F-1 na Bolsa de Valores. O suporte do banco alemão, uma instituição financeira conceituada internacionalmente, serviria como uma garantia de sucesso na empreitada.

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