Bangkok, Tailândia, 25 (AE) - Apesar de todas as dúvidas que a inspeção técnica do GP da Malásia deixou, a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) anunciou hoje que não haverá, domingo, no GP do Japão, prova que definirá o campeão da temporada, nenhum cuidado extra na vistoria dos carros. O retrospecto de Eddie Irvine, o líder do campeonato, na corrida de Suzuka, pode ser decisivo para a Ferrari conquistar o título que persegue desde 1979.
Primeiro o delegado técnico da própria FIA, o alemão Joe Bauer, constatou em Sepang, dia 17, que tanto a Ferrari de Eddie Irvine quanto a de Michael Schumacher, primeiro e segundo colocados na Malásia, tinham a base do defletor 10 milímetros mais estreita do que manda o regulamento. Depois, sábado, Max Molsey, presidente da FIA, resumiu a restituição dos pontos aos pilotos e à equipe Ferrari alegando que "todas as medidas do defletor" estavam dentro da tolerância de 5 milímetros admitida pela FIA.
Como bem lembrou Ron Dennis, da McLaren, a polêmica absolvição da Ferrari pela FIA descredencia não só Bauer como os métodos de medição usados pelos comissários técnicos, supervisionados também pela FIA. A confirmação do resultado do GP da Malásia fez com que muitos finlandeses já não mais acreditassem no bicampeonato de Mika Hakkinen.
Segundo pesquisa realizada pelo jornal Ilta Sanomati, de Helsinki, o piloto da McLaren não conseguirá superar Eddie Irvine na última etapa do mundial, domingo em Suzuka, em função da grande diferença que os separa. Irvine está em primeiro na classificação, com 70 pontos, diante de 66 de Hakkinen.
Se depender do retrospecto no Japão, Irvine poderá já quase que comemorar seu primeiro Mundial. Desde que estreou na Fórmula 1, no GP da Japão de 1993, Eddie Irvine vem se destacando na corrida de Suzuka.
A primeira prova foi no Japão mesmo, em 1993, e ele fez bonito ao obter o sexto lugar, com um carro da Jordan. Em 1994 acabou em quinto e em 1995 em quarto, ainda no time irlandês.
No primeiro GP do Japão com a Ferrari, em 1996, acidentou-se. Mas em 1997 concluiu a prova em terceiro e no ano passado foi segundo colocado. Os três anos de residência no Japão, no tempo em que disputava a Fórmula Nippon, permitiram a Irvine testar inúmeras vezes em Suzuka e conhecer a maioria dos segredos dos 5.864 metros da pista.
"Se eu chegar em igualdade de condições no Japão então serei campeão, porque ninguém me supera en Suzuka", afirmou Irvine depois de vencer o GP da Malásia. E ao ser informado que a FIA havia voltado atrás com relação à Ferrari, Hakkinen comentou: "Enganam-se os que acham que ele já é campeão." A seguir prognosticou: "Depende ainda só de mim para ser campeão, garanto que vou lutar até o fim." Se o piloto da McLaren vencer fica com o título, independente da posição de Irvine. A maioria dos pilotos já está no Japão, a fim de adaptar-se à diferença de sete horas de fuso horário com referência à Europa.

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