Agência Folha
De Suzuka, Japão
Novato em decisões de Mundiais, subitamente elevado à condição de única esperança ferrarista na F-1, Eddie Irvine fraquejou. Ontem, frente a frente com o rival Mika Hakkinen, em Suzuka, admitiu, enfim, estar sentindo a pressão pela disputa do título. Os dois se encontraram no circuito japonês, para a tradicional entrevista coletiva às vésperas da prova decisiva do campeonato. A primeira sessão livre para o GP do Japão ocorreria na madrugada de hoje. Amanhã, a partir das duas horas da manhã (de Brasília), com transmissão do vivo da TV Globo, acontece a definição do grid de largada.
‘‘Vocês talvez não consigam enxergar, mas o peso existe’’, declarou o norte-irlandês aos jornalistas. ‘‘Para mim, há muita coisa em jogo nesta corrida de domingo. A primeira é, sem dúvida, o jejum da Ferrari, há 20 anos sem títulos no Mundial de Pilotos. A segunda, o destino de sua própria carreira no automobilismo. ‘‘Se perder o título aqui, será uma tremenda chance desperdiçada. Não sei se voltarei a ter uma oportunidade dessas’’, afirmou o norte-irlandês, que defender a Jaguar no ano que vem.
Aparentemente fadado ao papel de eterno coadjuvante na F-1, Irvine só assumiu a condição de titular da Ferrari após o acidente que eliminou Michael Schumacher da disputa do campeonato, em julho. Surpreendentemente, venceu três provas desde então e assumiu a liderança do campeonato. Aparentando segurança, chegou a enfrentar Jean Todt, seu chefe no time italiano, em um bate boca público que durou semanas. Hoje, porém, diante de um rival que na mesma Suzuka viveu – e venceu – no ano passado a experiência de uma decisão de Mundial, o irlandês sucumbiu. ‘‘É muito mais fácil guiar um carro do que ficar esperando um GP como esse’’, afirmou o ferrarista, que recorreu à leitura de uma biografia de Nelson Mandela para se ‘‘inspirar para a prova’’.
Irvine tem quatro pontos de vantagem sobre Hakkinen e pode ser campeão mesmo se abandonar a prova. Já o finlandês precisa no mínimo de uma terceira colocação para conquistar o bicampeonato. ‘‘Escaldado’’, Hakkinen chegou até a minimizar o fato de ter batido Schumacher no ano passado no Japão. ‘‘Isso poderia até ser uma vantagem, mas a situação agora é diferente. O que sei é que temos que viver as experiências desses três dias para ter uma noção do que pode acontecer’’, contou.
Destoando do ambiente da maioria das últimas decisões de título, Irvine e Hakkinen prometeram ‘‘jogo limpo’’ para a corrida. ‘‘Espero um GP correto, porque o Mika é um piloto muito justo’’, afirmou o irlandês. ‘‘Ele sempre se comportou corretamente’’. Hakkinen referendou o ‘‘pacto de paz’’ e apenas hesitou quando questionado se o campeonato havia perdido a credibilidade com a absolvição da Ferrari no julgamento da FIA (entidade máxima do automobilismo), no sábado. ‘‘Vejo a questão por um ângulo bem diferente’’, afirmou o finlandês, para, após uma longa pausa, completar: ‘‘Mas esse ainda não é o momento certo para falar’’.
Deixou a impressão de que pode acabar com toda a imagem de ‘‘fair play’’ caso não consiga chegar ao bicampeonato na corrida da madrugada deste domingo.

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