Hockenheim, 29 (AE) - Hoje, ao se deslocar pelo paddock do circuito de Hockenheim, onde amanhã começa a disputa do GP da Alemanha, Eddie Irvine levava consigo dezenas de jornalistas. Estava sempre cercado. A prerrogativa que nos últimos anos sempre foi de Michael Schumacher transferiu-se agora para o homem do momento na Fórmula 1: o norte-irlandês, que ultrapassou o alemão na classificação do Mundial. O estilo irreverente, contudo, não mudou. "Se eu já falei com Michael? Não, ainda não
talvez na semana que vem", disse, depois de interromper a coletiva para atender o seu telefone celular.
O piloto que pode ser campeão do mundo se apresentou para a entrevista com uma camisa já bem desgastada pelo uso, colocada para fora da calça, tênis desamarrados, óculos escuros e rosto e cabelos bem suados. Disse ainda que não gosta de correr em Hockenheim, pista da prova, e só deixou de descascar o fio do microfone depois da interferência da assessora de impresa da Bridgestone, promotora do encontro com a imprensa.
Quando o treino livre na etapa mais veloz do calendário começar amanhã, é bem possível que Mika Hakkinen e David Coulthard, a dupla da McLaren, mostrem-se mais velozes que ele. A previsão é do próprio Irvine. "Como na áustria, porém, durante a corrida a história é outra." O piloto da Ferrari explica: "No Canadá, o Coulthard me colocou para fora (ainda retornou à prova e terminou em terceiro), ao passo que na áustria foi a vez do Hakkinen", afirmou, sempre irônico. "Resta saber qual de nós dois será o próximo." Sua vitória domingo não foi um golpe de sorte. "Sorte é você quem faz", argumenta.
A Ferrari teve o seu pior desempenho na temporada passada exatamente no GP da Alemanha. Irvine largou em sexto e Schumacher apenas em nono. Ao final das 45 voltas, Schumacher acabou em quinto e Irvine em oitavo.
"Na Espanha nós achavamos que não teríamos chances e acabamos surpreendendo", avaliou Irvine, que recebeu do presidente da Ferrari, Luca di Montezemolo, esta semana, o maior de todos os elogios, ainda que pronunciado sob o calor italiano da vitória na áustria: "A Ferrari não é Schumi-dependente." Hakkinen lidera o campeonato, com 44 pontos, Irvine está em segundo, com 42, e Schumacher em terceiro, 32.
A equipe favorita para ganhar a corrida de Hockenheim tem problemas para anunciar sua dupla de pilotos para o Mundial do ano 2000. Hakkinen está pedindo o dobro dos U$ 12 milhões oferecidos por Ron Dennis, sócio da McLaren. O finlandês joga com a proposta de U$ 25 milhões feita pela Ford para tê-lo na Stewart. Hakkinen quer o mesmo. São grandes as possibilidades de a Peugeot deixar a Prost e a Fórmula 1, por incompatibilidade com a administração de Alain Prost. A equipe passaria a correr com o motor Supertec, pago com a multa rescisória do contrato entre a Peugeot e a Prost.
Dois brasileiros largam sábado na primeira fila da sétima etapa da Fórmula 3000: Max Wilson é o pole position e Bruno Junqueira o segundo, ambos da equipe Petrobras Junior.

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