Irvine e Hakkinen "recarregam bateria" para a Hungria
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quarta-feira, 11 de agosto de 1999
Por Livio Oricchio 
Budapeste, 12 (AE) - Os dois pilotos que lutam pelo título mundial, Eddie Irvine, da Ferrari, e Mika Hakkinen, da McLaren, adotaram a mesma técnica de preparação para o GP da Hungria, 11ª etapa do Mundial, cujos treinos livres começam amanhã em Budapeste. Enquanto Irvine voou com seu avião, um Falcon 10, para Saint-Tropez, balneário francês, onde mantém um iate, Hakkinen embarcou no seu jato Lear 35 para a Sardenha, ilha italiana no mediterrâneo, a fim de velejar. Os dois traziam hoje o bronzeado das praias e mesma determinação para vencer.
Parecia coisa combinada: Irvine e Hakkinen comentaram que mereciam o descanso. "Depois do que aconteceu conosco nas duas últimas provas acho que esse breque foi importante", avaliou o finlandês. Ele conquistou apenas quatro pontos nas etapas da áustria e Alemanha enquanto Irvine venceu as duas e somou 20 pontos. Já Irvine demonstrou ter mesmo recarregado suas baterias. A exemplo do que fizera quarta-feira, hoje também desferiu ataques ao diretor esportivo da Ferrari, o francês Jean Todt.
"Ele, meu amigo? Certamente não, mas tenho amigos na equipe, com quem vou a jantares e festas." Irvine lembrou que Todt montou uma estrutura para Michael Schumacher ser campeão, não ele. "Claro que o Jean Todt preferiria que fosse o Michael que estivesse hoje no meu lugar." Irvine disse também que seu carro está correspondendo mais nas pistas por causa de uma mudança de metodologia de trabalho no time.
"Não tenho mais de fazer experiências que não conduzem a muita coisa, agora concentro-me no que de fato é capaz de tornar meu carro mais rápido." Sua resposta é uma crítica à política de Schumacher e Todt. O norte-irlandês começa sempre os fins de semana de corrida com um acerto oposto ao do alemão e que nem de longe seria a forma como Irvine iniciaria a disputa. O objetivo é verificar as reações do chassi. Os ajustes que de fato conduzem a uma evolução do desempenho acabam sendo incorporados nos dois carros.
"Agora estou partindo da base que eu e meu engenheiro imaginamos ser a ideal para a pista", explicou. Irvine repetiu o que dissera no dia anterior. "Se quando Michael voltar ele for ainda o primeiro piloto, deixo a Ferrari." Sua condição de líder da temporada, com 52 pontos, contra 44 de Mika Hakkinen, deve fazer com que o seu time concentre nele todos os esforços possíveis para a conquista do título, argumenta.
A Bridgestone distribuiu hoje um comunicado explicando as possíveis causas da explosão do pneu de Hakkinen, na Alemanha, tirando-o da prova. Segundo a nota, os exames não foram conclusivos, mas como não foi detectada nenhuma anomalia estrutural no pneu, o acidente ocorreu porque a sua temperatura se elevou demais, ou mesmo a pressão, ou ainda em razão de um corte ou desgaste irregular.
Comentário hoje no autódromo: a McLaren teria errado na pressão dos pneus, tanto no caso de Hakkinen, domingo, quanto no de Coulthard, no sábado. O escocês também passou por problema semelhante na classificação para o grid, com o mesmo pneu traseiro esquerdo.
Rubens Barrichello, da Stewart, lembrou hoje que o carro da Stewart, nos dois anos em que correu na Hungria, nunca se deu bem. "A nossa realidade agora é outra, tomara que possamos largar de novo entre os seis primeiros e depois o SF-03 aguentar o ritmo de corrida", afirmou.
"Na Alemanha quebrou uma junta do diferencial e perdemos óleo do sistema hidráulico, isso não pode acontecer." Diniz espera que numa pista que exige elevada pressão aerodinâmica sua Sauber se dê melhor que em Hockenheim, onde se corre com pouca asa. Ricardo Zonta, da BAR, acha que está na hora de conseguir um bom resultado, mas não está muito esperançoso. "Nosso carro é melhor em curvas rápidas, de 4.a e 5.a marchas, enquanto que aqui a maioria é lenta."


