Agência Estado
De Budapeste, Hungria
Os treinos livres são pouco representativos na Fórmula 1, mas não há dúvida de que a Ferrari capitalizou, ao menos psicologicamente, com o primeiro lugar de Eddie Irvine, ontem. Mika Hakkinen, da McLaren, com quem Irvine disputa o título da temporada, ficou em segundo. Hoje será definido o importante grid do GP da Hungria, 11ª etapa do Mundial. A corrida, amanhã, terá 77 voltas e as ultrapassagens são quase impossíveis, daí a necessidade de um posição na primeira fila amanhã.
Ontem, Hakkinen deu sinal de que está sob pressão. Aos 26 minutos da sessão da tarde, rodou e ficou na caixa de brita, perdendo os 34 minutos restantes do treino. Como de manhã ele saiu dos boxes quando faltam apenas dez minutos para o encerramento da primeira sessão, porque o asfalto estava muito sujo, completou somente sete voltas. Mas sua McLaren é tão eficiente também nos 3.972 metros da lenta pista húngara, que mesmo assim ele tinha o melhor tempo até o último minuto da sessão da tarde.
Irvine só o superou porque, provavelmente, retirou um pouco de gasolina do tanque, a fim de ficar em primeiro e tentar afetar psicologicamente ainda mais o adversário. Depois do GP da Alemanha, o norte-irlandês assumiu a liderança do campeonato. ‘‘Conforme esperava, nosso carro se adapta bem a este circuito’’, falou Irvine. ‘‘Além disso, gosto de guiar aqui com tantas mudanças de direção, uma seguida à outra.’’ Ele acha difícil conquistar a pole position hoje. ‘‘Será menos impossível que na Alemanha, mas a McLaren ainda é mais veloz na classificação.’’ Seu objetivo é largar na primeira fila. ‘‘Contornar a primeira curva na frente representa grande vantagem nessa prova.’’
Já Hakkinen confirmou que o modelo MP4/14 da McLaren se adaptou talvez melhor até do que ele esperava ao circuito. ‘‘Apesar de termos treinado pouco, nosso carro está rápido aqui.’’ Ter ficado de fora de boa parte do treino não o preocupou por esse motivo, segundo respondeu. Rubens Barrichello obteve o quarto tempo ontem, mesmo sem colocar pneus novos ou abaixar o nível de combustível. ‘‘Fiquei surpreso, o acerto inicial já se mostrou eficiente e fomos velozes de cara’’, contou o piloto da Stewart. ‘‘Ainda não dá para dizer nada, porque em outras ocasiões coloquei pneus novos e o carro não evoluiu.’’ Ele acha, no entanto, possível repetir hoje o quarto lugar, atrás apenas de Irvine, Hakkinen e David Coulthard, da McLaren.
A previsão de Ricardo Zonta, de que a BAR teria, na Hungria, outro fim de semana difícil, começou a se comprovar. ‘‘Esse carro é muito instável em curvas de baixa velocidade.’’ Zonta ficou em 17º. Pedro Paulo Diniz, da Sauber, treinou pouco, completou apenas 17 voltas e acabou em 20º. ‘‘Nossas chances aqui serão maiores se chover.’’ A meteorologia prevê que há boas possibilidades de voltar a chuviscar hoje.
Crise - A crise interna que atinge a Ferrari teve ontem seu desfecho. Após o primeiro treino para o GP da Hungria, Jean Todt, diretor esportivo da escuderia, disse que a permanência de Eddie Irvine na equipe não está vinculada ao que o piloto obtiver nesta temporada.Líder do Mundial, irlandês da Ferrari faz melhor tempo do que o rival Hakkinen, da McLaren, nos treinos livres em Budapeste
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