Spa-Francorchamps, 29 (AE) - Apesar de perder a liderança do Mundial para Mika Hakkinen, o norte-irlandês Eddie Irvine, apenas quarto no GP da Bélgica, era um homem feliz hoje: "Considerando que a Ferrari esteve mal aqui, deixar Spa um ponto atrás de Hakkinen na classificação não é ruim." Depois, como sempre, deu uma das suas: "A McLaren sempre encontra um jeito de nos dar um presentinho", afirmou, referindo-se ao fato de o time inglês não ordenar Coulthard para deixar Hakkinen ultrapassá-lo.
Irvine considerou um absurdo a direção de prova não punir Hakkinen.
"Ele queimou a largada" afirmou o piloto da Ferrari. O finlandês admitiu que seu carro mexeu-se, no grid, enquanto as luzes vermelhas estavam acesas. "Talvez por um problema da embreagem, quando fui engatar a primeira marcha minha McLaren deu pequeno salto à frente, o que me obrigou a repetir a operação." Nesse instante os faróis apagaram e a corrida começou. "Essa foi a razão de eu não largar bem", explicou Hakkinen. Irvine queria que ele fosse punido com um stop and go, o que o tiraria do pódio provavelmente. Os sensores no grid toleram que um veículo se desloque até 12 centímetros no solo sem que o piloto seja punido. Esse parece ter sido o caso de Hakkinen.
O desastre da Ferrari foi completo hoje em Spa. Os italianos perderam a liderança do Mundial de Construtores também, já que Mika Salo não colaborou com nenhum ponto, como fizera na Hungria
ao chegar em sétimo. A McLaren soma agora 106 pontos, enquanto a Ferrari tem 97.
Os ingleses da McLaren ganharam hoje um torcedor ilustre, Patrick Head, sócio e diretor-técnico da Williams. Na 32.a volta da prova ele deixou o box de seu time para reclamar pessoalmente com Jean Todt, diretor esportivo da Ferrari.
Àquela altura, Irvine havia saído do box depois de seu segundo pit stop. Ralf Schumacher, da Williams, vinha logo atrás, mais rápido, pois estava na estratégia de uma parada só e já a fizera na 22.a volta, na metade da prova. Ocorre que Mika Salo, por não ter ainda feito seu segundo pit stop, estava na frente de Irvine. O finlandês trocou de posição com o norte-irlandês e passou a segurar Ralf, enquanto Irvine abria dele. "Ralf foi vítima da cínica política de equipe de um só carro da Ferrari", disse Head. "Estou surpreso com Salo, capaz de atender ordens como essas." Segundo Head, a escuderia italiana tem agido assim há anos. "Gostaria de dizer que apreciei muito a esportividade da McLaren, hoje, esse sim um time de dois pilotos." Depois concluiu: "A McLaren merece os títulos mundiais de pilotos e construtores, os quais eu espero que eles conquistem."
A partir de quarta-feira Michael Schumacher testará o carro da Ferrari em Monza por três dias, cujo programa prevê a simulação de um GP. Ele deve retornar à Fórmula 1 no GP da Itália, dia 12. Se depender de Irvine e Salo, a Ferrari já viu que não conseguirá nada este ano. As vitórias do norte-irlandês na áustria e Alemanha decorreram mais de derrotas da McLaren que méritos da Ferrari. Só um piloto com talento maior que a falta de velocidade do F399 da equipe italiana, como Schumacher, é capaz de se impôr a McLaren e ajudar Irvine ser campeão.

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