Irvine admite serventia a Schumacher
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 06 de abril de 1999
Agência Estado 
O out-sider norte-irlandês Eddie Irvine, 33 anos, é o líder do Mundial de Fórmula 1. Risos: É mesmo, afirma, sugerindo não ter pensado no assunto. Ele venceu a etapa de abertura do campeonato, na Austrália. Mas eu só me sentirei líder se depois do GP do Brasil continuar em primeiro, disse ontem o piloto da Ferrari, em São Paulo. Despojado de qualquer preocupação com a imagem que suas reações podem gerar, Irvine é o verdadeiro anti-herói da F-1. Por um motivo principal: fala o que pensa. Muita gente conta mil histórias para enconder a verdade, enquanto aqueles que lhe estão perguntando já a conhecem - risos ainda mais intensos.
Sua relação com Michael Schumacher na Ferrari representa talvez o mais estampado caso de serventia na história da Fórmula 1. Eddie é pago para fazer Schumacher campeão. Eu só o deixo ultrapassar porque o meu contrato com a equipe exige, afirma. E não esconde sua reprovação ao fato: Pilotar para a Ferrari é uma experiência fascinante, mas com Michael no time o preço que pago é alto. Sua relação com o alemão, no entanto, não é litigiosa, como poderia se supor. Tenho consciência dos limites que meu contrato impõe e mantenho um relacionamento normal com ele.
A acusação é dura: Eddie aceita tudo isso por ser mercenário. Jacques Villeneuve, por exemplo, com quem já teve vários atritos, costuma referir-se a ele dessa forma.
Adoro dinheiro, ele me dá a liberdade de que necessito, deslocar-me com avião próprio para onde quero, mas não vim parar na Fórmula 1 por causa dele,diz Irvine. Sua opção pelo automobilismo deve-se a sua paixão pelo esporte, segundo descreve. Eu me divirto nas pistas, é isso que sempre busquei, o dinheiro entrou depois na história.
Eddie confirma que seus dois últimos contratos com a Ferrari foram mesmo muito bons. Os valores não são oficiais, mas comenta-se que ele recebe cerca de US$ 5 milhões por temporada. Para servir Schumacher. Trata-se do segundo piloto mais bem pago da F-1 em todos os tempos. Gostaria de deixar claro que não vivemos num mundo perfeito, e às vezes fazemos coisas que não desejamos, como trabalhar para Michael, retoma ao tema o irlandês.
Irvine comenta sua projeção para o GP do Brasil, domingo. Se os dois carros da McLaren não quebrarem, não haverá como vencê-los, diz ele. Mas adverte: A Ferrari F399 evoluiu de Melbourne para cá; penso que a nossa diferença para eles será a metade do que foi na Austrália.


