São Paulo, 19 (AE) - A reformulação no time do Palmeiras começa a preocupar o técnico Luiz Felipe Scolari. A situação pode irromper uma crise entre o treinador e os dirigentes do clube e da Parmalat. Hoje, Scolari reclamou da demora dos dirigentes para conseguir reforços, além da dificuldade para resolver a renovação dos contratos de alguns jogadores.
Scolari lembrou que, no ano passado, foi muito criticado no clube, porque teria dado opiniões sobre assuntos que não eram referentes à parte técnica. "Não quero ganhar uma úlcera, vou cuidar só dos problemas da equipe dentro de campo", ressalta. "Venho aqui diariamente, cumpro com a minha obrigação e no fim do mês recebo meu salário."
A três dias da estréia do Palmeiras no Torneio Rio-São Paulo, contra o Vasco, jogo que foi novamente adiado para domingo, às 19 horas, em São Januário, no Rio, o treinador admite que as coisas no Palmeiras não estão um "mar-de-rosas". "No momento, não temos um time só de profissionais para o jogo", reage Scolari, que teme outro fracasso na estréia do Rio-São Paulo como ocorreu no ano passado, quando o time foi goleado pelo Vasco por 5 a 1. "Tenho de completar com os juniores."
O treinador estava revoltado hoje com a dificuldade para montar a equipe. "Entre os profissionais tenho só dez atletas, dos quais dois são goleiros", ressalta Scolari , que pôs até em dúvida as condições técnicas da maioria dos juniores, que ele promoveu para o time de cima. "Podem não dar certo para o Palmeiras, como a Copa São Paulo mostrou."
Embora tenha apoiado a nova filosofia do Alviverde e da multinacional, que decidiram enxugar os salários do clube, com a saída de nove jogadores, que, segundo os dirigentes ganhavam muito, o treinador contava o mais rápido possível com a contratação da maioria dos reforços que ele havia pedido para a diretoria. Até agora, a diretoria trouxe apenas o zagueiro Índio
cujo passe foi cedido pelo Juventude, de Caxias do Sul, e o atacante Basílio, do Coritiba.
Scolari até citou os nomes de alguns jogadores que gostaria de ver no Palmeiras, como os zagueiros César, do Paris Saint-Germain, Émerson, da Lusa, Argel, do Porto, e Cláudio Caçapa, do Atlético-MG, mais os atacantes Fernandão, do Juventude, e Fábio Júnior, do Roma. "Se haverá mudanças no plano, os dirigentes terão de comunicar à torcida", diz o treinador, que afirma não "esquentar" mais a cabeça com problemas extracampo.
O diretor de Futebol do Palmeiras, Sebastião Lapola, sem rebater o descontentamento do treinador com a atuação vivida pelo Palmeiras, diz que o clube está tentando os reforços necessários. Mas repete que não devem ser contratados jogadores a "peso de ouro".
A diretoria acertou a renovação dos contratos do zagueiro Agnaldo e do lateral-direito Neném por mais um ano. O atacante Pena e o volante Tiago, contudo, ainda não chegaram a um acordo com a diretoria, por isso ainda continuam sem condições de atuar no Rio-São Paulo.

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