Rio, 09 (AE) - O Campeonato Brasileiro deve terminar nos tribunais devido a um fato novo surgido hoje, durante sessão da 1ª Comissão Disciplinar do Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) que tirou do São Paulo o ponto do empate com o Internacional (2 a 2), no jogo realizado em 10 de outubro, no Morumbi, por causa da escalação supostamente irregular de Sandro Hiroshi. Além do atacante são-paulino, existem cerca de 40 jogadores atuando com o registro "bloqueado" na Confederação Brasileira de Futebol (CBF), alguns deles na Série A do Brasileiro, como seria o caso do atacante Pena, do Palmeiras, contratado ao Rio Branco-SP.
O Botafogo-RJ teve acesso a essa informação hoje à noite e promete entrar com recurso amanhã no TJD para impugnar a partida contra o Palmeiras, na qual foi goleado por 6 a 0, sábado, no Palestra Itália. Foi o diretor-jurídico da CBF, Carlos Eugênio Lopes, quem revelou o número de atletas com registro "bloqueado" na entidade. Lopes testemunhou no julgamento da comissão a favor do São Paulo.
Em seu depoimento, ele explicou que deu parecer favorável à escalação de Hiroshi no Brasileiro por que a expressão "com registro bloqueado", "sem nenhum significado jurídico", não tira a condição de jogo de um atleta. "É apenas uma garantia ao clube detentor de seu passe e uma coisa corriqueira na CBF", disse. Os auditores da 1ª Comissão Disciplinar não entenderam dessa forma e, por unanimidade, ratificaram hoje à noite os votos dados em sessões do TJD e da outra Comissão Disciplinar ao Botafogo-RJ, que ganhou os três pontos da partida com o São Paulo porque Sandro Hiroshi estava com o registro "bloqueado".
O julgamento do pedido de impugnação da partida São Paulo x Internacional acabou irritando paulistas e gaúchos, que consideraram o Botafogo-RJ o grande beneficiado com a sentença. É que a comissão resolveu punir o São Paulo com a perda do ponto do empate e transferiu esse ponto para o Internacional, que somou apenas dois pontos e não três, como esperava o presidente do clube, Paulo Amoretty. "Isso é um escândalo, uma afronta à Justiça", bradou o dirigente do Internacional, cujo discurso foi interrompido pelo presidente da comissão, Paulo Rodrigues, que fez soar a campainha do tribunal por um minuto, até que Amoretty se calasse. (SEGUE)

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