Irmãs de Araçatuba dominam a decisão do Nacional de basquete
Além de reunir as duas melhores equipes da competição, a final do 2º Campeonato Brasileiro de Basquete Feminino tem um duelo à parte - e quem sai ganhando é a família Luz, que poderá ter uma ou duas campeãs este ano. Se o Arcor/Santo André vencer o Paraná no próximo sábado, em São José dos Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba, a armadora Helen Luz, 26 anos, leva o título para São Paulo. Se o Paraná vencer as duas próximas partidas, o troféu fica com o Paraná, time das armadoras Cintia, 28 anos e Sílvia, 24 anos. Todas irmãs.
As três começaram a jogar basquete há mais 15 anos, na cidade de Araçatuba, interior de São Paulo, local onde nasceram. Sempre incentivadas pelos pais Nelson Luz e Cleonice Ribeiro. Eles sempre quiseram que fôssemos esportistas, conta Silvia. Como as idades são próximas, as irmãs já puderam jogar em vários clubes juntas. Na temporada 95/96 venceram o campeonato nacional defendendo o extinto Nossa Caixa, de Campinas. Título sempre muito lembrado pelas atletas. Foi um das nossas maiores conquistas, lembra Cíntia. Mas a fama só começou com o convite de Maria Helena, hoje técnica do BCN/Osasco, para as três jogarem em Piracicaba. A partir dali é que começamos a ver o basquete de forma mais profissional, relembra Helen.
O convívio dentro e fora das quadras sempre uniu as atletas. As brigas só aconteciam nos tempos de adolescência: Era por bobagens, roupas, jóias e coisinhas infantis, conta a caçula Silvia que é considerada a pestinha pelas irmãs. Sempre fui mais bagunceira que as outras e o fato de ser a mais nova me ajudava muito pois era paparicada por elas, conta. Já Cintia é considerada a mãezona das outras irmãs. Era ela que nos acudia quando precisávamos, lembra Helen. Foi a Cíntia quem mais nos incentivou nos momentos difíceis, conta Silvia. Já Helen é considerada pelas irmãs como a mais calma. Dificilmente algo a tira do sério, é o termômetro da família, dizem em uníssono.
Sílvia é a mais nova e também a mais precoce. Ela foi a primeira das irmãs a ir a uma Olimpíada. Em Atlanta a experiência foi fantástica, ainda que sentíamos a dor de não ter Helen do nosso lado por causa de uma contusão, lembra. Mas isso não a deixa convencida, pelo contrário, humildade é um dos pontos fortes de Sílvia. Tudo o que conquistei foi com muito esforço e trabalho, além é claro da ajuda de Deus e de minha família, diz. Ela e Cíntia se orgulham pelo sucesso de Helen neste campeonato e também pela possibilidade de vê-la jogar nos Estados Unidos. Helen confirmou ontem à Folha que vai mesmo disputar o campeonato americano de basquete feminino. O Pessoal da WNBA (Womens National Basketball Association) me ligou esta semana é quase certo que vou jogar no Houston Comets, time que Janeth defendeu no ano passado.
As duas jogadoras do Paraná contam que para chegar até a final contra o Santo André o time teve que vencer muitas batalhas dentro e fora de quadra. Não tínhamos onde morar, os treinos aconteciam cada hora em um lugar diferente, sem falar nos salários que chegavam a atrasar por dois meses seguidos, lembra Silvia. Por isso, só o fato de estarmos nesta final já faz deste grupo um time vencedor, avalia. Para ela a união dentro e fora de quadra das jogadoras foi determinante para que a classificação acontecesse. Não podemos esquecer que tivemos que encarar a pedreira de jogar contra o BCN/Osasco na semifinal para chegarmos até aqui, relembra, referindo-se à virada por três a dois que o Paraná impôs ao BCN depois de estar perdendo a série por dois a zero. Helen conta que está orgulhosa de suas irmãs. Elas tiveram um ano complicado, mas superaram os obstáculos e têm grandes chances de nos vencer, disse.
Todas têm a mesma opinião quanto instalação do Centro de Excelência de Basquetebol no Paraná. Para elas esta é a única forma de projetar o basquete nacional. Se não ensinar a garotada, não vamos ter jogadores daqui há alguns anos, diz Silvia. Cintia engrossa o côro: Investir nas categorias de base é o grande lance para formarmos atletas qualificados.Kraw PenasEm casaSilvinha (E) e Cíntia, destaques do Paraná: Nossos pais sempre quiseram que fôssemos esportistasMarcos Freitas





