São Paulo - O tetracampeão Michael Schumacher venceu ontem pela quarta vez o GP Brasil de Fórmula 1, terceira etapa do Mundial da categoria, no circuito de Interlagos, em São Paulo. Com a vitória, o alemão segue em primeiro, com 24 pontos, na classificação em busca do quinto título – marca recordista do lendário argentino Juan Manoel Fangio.
O ex-jogador Pelé, que foi escolhido pelos organizadores para dar a bandeirada de chegada, se atrapalhou e não viu a passagem dos dois primeiros e deixou de mostrar a bandeira para a vitória de Schumacher.
O piloto da Ferrari agora também passa a ser o segundo piloto de maior sucesso na prova brasileira, com quatro vitórias – atrás somente do francês Alain Prost, que ganhou seis vezes.
Schumacher, no entanto, é o mais beneficiado na etapa paulistana, tendo subido ao pódio em dez das 11 participações em Interlagos. Na única vez que não terminou entre os três primeiros, em 1997, foi quinto.
O Brasil manteve a trajetória de fracassos em casa. Desde 1994, quando Rubens Barrichello conduziu a Jordan ao quarto lugar na prova, jamais um piloto do país chegou a terminar na zona de classificação.
A fase ‘‘negra’ começou justamente após a morte Ayrton Senna no Mundial de 1994 – GP de San Marino –, e Barrichello herdar o ‘‘título’ de principal piloto brasileiro na categoria.
Na prova de hoje, Barrichello, desprestigiado pela Ferrari, teve que largar com o carro do ano passado e chegou a liderar quatro voltas, mas acabou abandonando com problemas em sua Ferrari.
Os outros dois brasileiros na categoria – Enrique Bernoldi, da Arrows, e a revelação Felipe Massa, da Sauber – também não finalizaram o GP do Brasil.
O segundo colocado foi o alemão Ralf Schumacher, da Williams, enquanto o escocês David Coulthard (McLaren), vencedor no ano passado, terminou em terceiro e conseguiu seu primeiro pódio no ano.
A vitória de ontem foi uma conquista surpreendente até para Michael Schumacher. ‘‘Depois dos nossos problemas na Malásia (quando os pilotos da Michelin foram bem melhores), não acreditava que conseguiria manter o ritmo das Williams no GP do Brasil’’, afirmou.
‘‘Esse resultado aumenta minha confiança nas provas em que nós não fomos muito bem no ano passado’’, comentou Schumacher, como a próxima etapa, dia 14 em Ímola, vencida sem dificuldades por Ralf em 2001. ‘‘Vamos para a nossa casa com outra postura’’, afirmou Schumacher, o líder na classificação, com 24 pontos, diante de 16 do irmão, para delírio dos tifosi.
A Williams, no entanto, continua em primeiro entre os construtores, com 30 pontos contra 24 da Ferrari, todos conquistados pelo alemão.
Poucos campeonatos da Fórmula 1 alternaram tanto as perspectivas de definição do vencedor como o desta temporada. A análise é do próprio Schumacher, que realizou ontem em São Paulo uma das suas maiores corridas, dentre as 55 que já ganhou – ele disputou 164. ‘‘Na Austrália disseram que a Ferrari ganharia tudo, depois na Malásia foi a vez da Williams, pelas formas como venceram, e aqui a vantagem de novo é nossa.’’




RESULTADO
1º – Michael Schumacher, Ferrari, 71 voltas
em 1h31min43s663 (média: 200,098 km/h)
2º – Ralf Schumacher, Williams, a 0s588
3º – David Coulthard, McLaren, a 59s109
4º – Jenson Button, Renault, a 1min06s883
5º – Juan Pablo Montoya, Williams, a 1min07s563
6º – Mika Salo, Toyota, a uma volta
7º – Eddie Irvine, Jaguar, a uma volta
8º – Pedro de la Rosa, Jaguar, a uma volta
9º – Takuma Sato, Jordan, a duas voltas
CLASSIFICAÇÃO
Pilotos
1º – Michael Schumacher - 24
2º – Ralf Schumacher - 16
3º – Juan Pablo Montoya - 14
4º – Jenson Button - 6
5º – Kimi Raikkonen
e David Coulthard - 4
6º – Eddie Irvine - 3
7º – Mark Webber,
Nick Heidfeld
e Mika Salo - 2
8º – Felipe Massa - 1
Construtores
1º – Williams - 30
2º – Ferrari - 24
3º – McLaren - 8
4º – Renault - 6
5º – Jaguar
e Sauber - 3
7º – Minardi
e Toyota - 2

mockup