Londres - Dois irmãos que aprenderam lutar com o pai na garagem de casa em Serra, no Espírito Santo, estarão em busca hoje de uma final inédita para o boxe amador brasileiro nos Jogos Olímpicos de Londres. Às 11 horas (horário de Brasília), Esquiva Falcão Florentino, de 22 anos, será o primeiro a subir no ringue da Excel Arena para encarar o britânico Anthony Ogogo, pela semifinal da categoria dos médios (até 75kg). Cinco horas depois será a vez de Yamaguchi Falcão Florentino, de 24 anos, entrar em ação diante do russo Egor Mekhontcev, no duelo entre pesos meio-pesados (até 81kg).
''Trata-se de uma luta para se chegar à uma final olímpica. Não teremos moleza. Sabemos disso, mas os garotos são muito maduros, calmos e talentosos. Confio muito neles'', disse o técnico da equipe brasileira, João Carlos. ''Acho que o boxe brasileiro está pronto para atingir o máximo.''
Ontem, os irmãos Florentino fizeram um treino leve pela manhã e passaram o resto do dia analisando os adversários, com ajuda de CDs com as lutas anteriores. ''Cada combate temos de adotar uma forma de lutar. Fizemos isso muito bem até agora e tenho certeza de que vamos continuar com sucesso'', disse Yamaguchi, que eliminou o cubano Julio La Cruz Peraza, campeão mundial e líder do ranking da categoria, com estratégias diferentes para cada round.
Esquiva pensa da mesma forma. ''Nosso diferencial é esse. Não temos apenas uma forma de lutar. Para chegar à final de uma Olimpíada é necessário estar pronto para encarar qualquer desafio. E nós estamos'', afirmou o brasileiro.
Por enfrentar um rival britânico, Esquiva sabe que vai ter a torcida contra de todo o ginásio, com capacidade para cerca de quatro mil pessoas. ''Não tem problema. Dentro do ringue, depois que a luta começa a gente nem escuta o barulho de fora'', disse o pugilista.
Yamaguchi passou à semifinal sem conhecer o russo, seu próximo rival. ''Depois de ganhar do campeão do mundo, estou pronto para entrar no ringue e ir para cima de qualquer um. Uma semifinal olímpica é difícil para qualquer boxeador. Vai ser muito duro para mim, mas também vai ser muito duro para o russo'', avisou. O pequeno corte abaixo do olho esquerdo não incomoda em nada o brasileiro. ''Corte? Que corte?'', brincou. ''Temos de passar opor todos os obstáculos. É para isso que treinamos todos esse tempo. Não é hora de reclamar.''
Os dois irmãos acreditam que poderão imprimir um ritmo forte para as lutas desde o início. ''O britânico vai vir para cima. Não posso brigar com ele. Tenho de ser inteligente. Boxear, colocar meus golpes e usar meu jogo de pernas para impedir que ele ataque e impressione os jurados'', disse Esquiva. ''O melhor é atacar quando ele iniciar o ataque dele. Desta forma, bloqueio qualquer iniciativa.''
Yamaguchi vai tentar repetir o que fez diante do cubano Peraza. ''Nos primeiros momentos, acho que o contra-golpe pode ser o mais indicado. Mas sei também que não posso sair perdendo no primeiro round. É difícil ir buscar o resultado depois'', avisou.
Independente do resultado desta sexta-feira, os irmãos Florentino já garantiram medalha em Londres - se perderem as semifinais, ficam com o bronze. E entraram para a história do boxe brasileiro. Antes de Londres, o único pugilista do Brasil que tinha subido ao pódio olímpico foi Servílio de Oliveira, que ganhou bronze nos Jogos da Cidade do México, em 1968.

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