O Londrina Esporte Clube livrou-se ontem de uma das muitas dívidas contidas nos quase R$ 2 milhões cobrados pelos credores. Só as ações trabalhistas - num total de 80 - chegam a R$ 1,5 milhão. O acordo, oficializado na sede administrativa do Estádio Vitorino Gonçalves Dias (VGD), prevê o repasse do passe do atacante Rodrigo ao ex-gerente do clube, Paschoal Caldarelli, que reivindica R$ 35 mil - entre salários atrasados, 13º, FGTS e férias - referentes a um ano e três meses de trabalho.
O Atlético Paranaense aguardava o desfecho do caso para contratar Rodrigo por R$ 35 mil. Dessa importância, R$ 10 mil ficarão para Caldarelli, que subdividirá o restante entre outros ex-funcionários que haviam solicitado a penhora do passe do jogador. Se o Atlético revender Rodrigo, Caldarelli e o próprio Londrina terão, como parceiros, parcelas proporcionais do lucro.
No entanto, a advogada Soraia Araújo Pinholato, que defende Caldarelli, exigiu um ‘documento de garantia’, em que o Londrina se compromete a pagar a diferença (de R$ 25 mil) se o Atlético não vier a negociar Rodrigo.
O advogado Osvaldo Cestário, que se encarrega da difícil tarefa de regularizar as pendências judiciais do Londrina, precisou de apenas meia hora da manhã de ontem para convencer Soraia de que o clube só tinha um jeito de manter um acordo descumprido anteriormente: ceder o passe de Rodrigo. ‘‘Tudo acabou da melhor maneira possível’’, comentou Soraia, que anteontem, em um programa esportivo da Rádio Brasil Sul, enfrentou de igual para igual a gritaria do vice-presidente de futebol Célio Guergoletto. ‘‘Não quis ofendê-la, nada disso. Só olhei nossos interesses’’, defendeu-se o dirigente. ‘‘Tudo não passou de um mal-entendido’’, amenizou Soraia, com jeito conciliador.
Guergoletto reafirmou que procura viabilizar o modelo-empresa no Londrina, mas aponta o principal entrave que assusta possíveis investidores: as dívidas de aproximadamente de R$ 2 milhões. Uma das alternativas, segundo ele, seria utilizar um condomínio que uma imobiliária (da família Victorelli) venderia ao clube, a longo prazo, na divisa Cambé/Londrina, loteando-o para oferecê-lo aos credores. Só que as negociações fracassaram. ‘‘Seria uma opção interessante, mas não teríamos recursos para gastar na infra-estrutura prevista’’, explicou Guergoletto.
Portanto, o futuro do Londrina permanece incerto. Mesmo assim, o clube não desiste de buscar uma saída, agarrando-se a discretas parcerias. A atual estrutura sobrevive, basicamente, dos R$ 50 mil mensais rateados entre 10 cotistas ou da ajuda de cinco hotéis da cidade, que nada cobram pelas concentrações dos jogadores: do Lago, Caçula, Bourbon, Cristal e Cedro. A Schincariol - vencedora da concorrência para a comercialização de bebidas no Estádio do Café e no VGD - aposta no aumento de público (e das vendas, claro) nos jogos do líder Londrina (Grupo A) na sequência da segundona.
Um grupo norte-americano, que atua no Brasil, pretende investir R$ 10 mil mensais durante a segundona paranaense, elevando as bases financeiras para a Série B do Brasileiro, que começa no segundo semestre. Guergoletto diz que as conversações estão bem adiantadas.
Na próxima terça-feira, Guergoletto vai a São Paulo participar do seminário Marketing no Futebol - Como Investir e Ter Retorno. Lá, o ‘homem forte’ do Londrina ouvirá lições de alguns pesos-pesados da área, inclusive o presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), Eduardo José Farah. ‘‘Não posso negar: estamos a zero no setor de marketing. É preciso descobrir um caminho’’, diz Guergoletto.

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