Irlanda vive seu melhor momento na F-1
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 30 de julho de 1999
Por Livio Oricchio 
Hockenheim, Alemanha, 31 (AE) - Nunca na história de 50 anos da Fórmula 1 a Irlanda viveu momentos de tantas conquistas como agora: Eddie Irvine, ainda que norte-irlandês e, portanto, cidadão britânico, é o vice-líder do Mundial; a equipe Jordan, com base na Inglaterra, é de propriedade de um irlandês genuíno, Eddie Jordan, está em terceiro entre os construtores. E mais: Gary Anderson, técnico irlandês, é o responsável por um dos melhores carros da Fórmula 1, o da Stewart. E a Lola, tradicional fabricante de veículos de competição, está renascendo nas mãos de um irlandês, Martin Birrane.
"Há uma semelhança grande entre os italianos e os irlandeses", explica o divertido Eddie Jordan. "Os dois povos são emotivos e apaixonados por corridas de carro." O sucesso de Eddie Jordan é tamanho no seu país, agora que sua escuderia começa a se aproximar das melhores na Fórmula 1, que ele se tornou, desde o ano passado, diplomata do país. "O governo da Irlanda promoveu Eddie à condição de embaixador, a fim de promover o turismo no país através do esporte", conta Mark Gallanger, irlandês, diretor de marketing da Jordan. Para Mark, não há mistério no sucesso da nação na Fórmula 1.
"Estamos colhendo os frutos de 20 anos de investimentos no automobilismo", diz. "Nesse tempo todo, criamos vários bons pilotos, como John Watson, Martin Donnelly, apesar de eles não terem feito grande sucesso na Fórmula 1." A evolução de Eddie Irvine é um fator importante nesse interesse enorme do país pela categoria. "A população total da Irlanda é de cerca de 4 milhões e algo em torno de um milhão assiste às transmissões dos GPs ao vivo", explica o diretor de marketing. Se Eddie Irvine continuar na Fórmula 1, mantendo-se entre os primeiros, dentro de três ou quatro anos existe a possibilidade de a Irlanda ser incluída no calendário da Fórmula 1, segundo Gallenger.
Eddie Irvine tem enorme preocupação com a questão política e não fala sobre o assunto sob nenhuma hipótese, em especial depois de ser ameaçado, na Argentina, em 1997. A organização da prova estendeu a bandeira da Irlanda no pódio (ele foi segundo) e não da Grã-Bretanha. Irvine foi taxado de separatista e apoiar o IRA. "Acho ótimo que a Irlanda vibre com tudo o que está acontecendo na Fórmula 1", afirma Irvine. "Mas é bom que fique claro que nos últimos dois anos eu passei 25 dias na Irlanda", contou, dizendo-se distante da nação.
Quando a Lola deixou a Fórmula 1, no início de 1997, ainda na segunda corrida da temporada, a impressão era de que a marca estava queimada, até mesmo no mercado da Fómula Indy, onde deixara de ser um carro vencedor. Ano passado o irlandês Martin Birrane adquiriu o grupo e está relançando a Lola, em especial no mercado norte-americano. Até a equipe Penske já se interessou pelo carro e a perspectiva, no próximo campeonato, é de que a Lola dividirá o grid da Indy com os chassis da Reynard.


