IRL abre investigação sobre acidentes
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quinta-feira, 23 de outubro de 2003
Agência Lancepress! 
São Paulo - O acidente que vitimou o norte-americano Tony Renna, 26 anos, durante testes na quarta-feira em Indianápolis foi a gota d'água para a Indy Racing League (IRL) abrir uma investigação que visa apurar as razões de tantos acidentes violentos com os carros da categoria em 2003. Os chassis da IRL provaram ter a particularidade de levantar vôo quando perdem a aderência na pista, casos dos acidentes de Renna e também de Mario Andretti e Kenny Brack.
''A IRL vai trabalhar com as equipes e os responsáveis pelos autódromos para ver o que podemos aprender com este acidente e compará-lo com outros que já aconteceram'', disse Ron Green, porta-voz do autódromo de Indianápolis.
A particularidade que torna os carros da IRL instáveis e suscetíveis a levantar vôo nos acidentes, como o que matou o norte-americano Tony Renna, já é velha conhecida de mecânicos, pilotos e imprensa especializada que acompanharam a categoria em 2003.
Tecnicamente, explica-se os acidentes da seguinte forma. Primeiro, o fundo plano dos carros da IRL, que geram sustentação e apoio aerodinâmico (downforce) apenas nas asas e spoilers das carenagens. Teoricamente, este fundo plano é mais suscetível a fazer o carro decolar se um volume grande e repentino de ar passar por baixo do assoalho, exatamente o que acontece nas rodadas acima dos 300 km/h comuns nos ovais. Os carros da IRL pesam um mínimo de 700kg.
Com o carro lançado ao céu, sem o atrito da pista para reduzir sua velocidade, os impactos acabam sendo muito maiores do que deveriam. Some-se a isso o fato de um muro de concreto ser a destino de 100% das batidas, e começa-se a entender as razões de tantos pilotos machucados em 2003.
Na F-1, para combater este problema, desde 1994 o fundo plano foi abolido e existe uma prancha de madeira fixada de forma longitudinal no assoalho. A madeira tem explicação. Para evitar que as equipes deixem os carros muito próximos ao chão e, desta forma, aumentar o downforce, a prancha serve como um ''medidor''. Se a madeira sofrer desgaste superior a 1cm após a prova, o carro é desclassificado.
Renna foi o 67º piloto a morrer em Indianápolis desde 1909, quando o autódromo foi inaugurado. O último piloto a morrer foi Scott Brayton, que bateu durante treinos para a edição de 96 das 500 Milhas. Ironicamente, Brayton já tinha garantido a pole para aquela corrida.


