Agora é pra valer. Começam hoje, para o Brasil, os ‘mata-mata’ do vôlei masculino em Sydney. O time de Radamés Lattari enfrenta os rivais argentinos na madrugada de amanhã, dia 26, às 4h30, pelas quartas-de-final, que terão ainda Austrália x Itália, Holanda x Iugoslávia e Cuba x Rússia. Deste último jogo sairá o adversário do vencedor de Brasil x Argentina. O time feminino, do técnico Bernardinho, enfrentaria a Alemanha nesta madrugada também pelas quartas-de-final.
Se o desempenho do Brasil na Liga Mundial e na Copa América provocou uma certa desconfiança do público com o desempenho da seleção masculina de vôlei, passada a primeira fase do torneio olímpico já começam as comparações com os Jogos de Barcelona, em 1992, quando a equipe também passou invicta pela fase de classificação e ganhou a medalha de ouro. ‘‘Eu prefiro que continuem olhando com desconfiança, deixando a seleção fora dessa lista de favoritos, sem essa preocupação’’, afirmou o técnico Radamés Lattari. ‘‘Antes de chegar à disputa de uma medalha ainda serão disputadas três partidas e nós só precisamos pensar na primeira.’’
Radamés evita afirmar que a boa fase que o time atravessa pode levar o Brasil ao pódio mais uma vez. Observou que em Olimpíada grandes favoritos perderam, assim como ‘‘azarões’’ surpreenderam.
Os próprios jogadores concordam que o time está jogando bem. ‘‘A equipe está ótima, funcionando bem em todos os fundamentos, jogando com alegria, determinação, mas a partir de agora tem de ser isso e mais um pouco’’, acentua Nalbert. Tande afirma que ‘‘não tem time bobo aqui e ainda tem a tal da pressão da Olimpíada, que é grande a ponto de provocar zebras’’.
O atacante, que disputa sua terceira Olimpíada e já viveu duas campanhas contrastantes – a da consagração da medalha de ouro em Barcelona, seguida da decepção pelo quinto lugar em Atlanta-96 – acha que o Brasil não tem de pensar em como vai ser.
O técnico Radamés concorda que o time está à vontade, sem sentir a pressão da disputa. ‘‘Mas tudo na vida é resultado.’’ Opina que não adianta fazer planos no vôlei, que, segundo ele, está muito nivelado no mundo, com a disputa da primeira Olimpíada dentro da nova regra de pontos corridos, sem vantagem. Na sua avaliação, entre as oito equipes que estão nas quartas-de-final, ‘‘pode dar qualquer resultado’’.
Além de estar classificado com cinco vitórias – perdeu um único set, para a Espanha – o time vem jogando com qualidade. O levantador Maurício definiu o vôlei que o Brasil apresentou na primeira fase como ‘‘consistente’’.
O meio-de-rede Douglas observou que, mesmo sendo positiva, a primeira fase tem de ser esquecida. ‘‘Não temos de comparar nada com Barcelona ou Atlanta, isso é passado, o presente é Sydney.’’

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