Investimento não garante ouro ao atletismo
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segunda-feira, 30 de junho de 2008
Daniel Brito<br> Agência Estado 
São Paulo - Lá se vão 24 anos desde a última medalha de ouro olímpica conquistada pelo Brasil no atletismo. Curiosamente, depois que Joaquim Cruz ostentou a bandeira verde-e-amarela no alto do pódio, em Los Angeles, como campeão dos 800 metros, a modalidade passou a receber mais recursos financeiros.
A BM&F e a extinta Telebrás foram as primeiras a investir no atletismo. A TV Globo entrou na onda no final da década passada até a chegada da Caixa Econômica Federal, em 2001, Midas da modalidade. Dois anos mais tarde, foi criada a Lei Agnelo/Piva, que destina ao Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e ao Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB) 2% do prêmio das loterias federais do País. Mais recentemente, surgiram o Bolsa-Atleta do Ministério do Esporte e a Lei de Incentivo. Esses últimos, distribuídos também entre outras modalidades.
Só neste ciclo olímpico, que se encerra nos Jogos de Pequim, em agosto, a Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) embolsou algo em torno de R$ 30 milhões, somando os recursos da Caixa e da Lei Agnelo/Piva. Desde 1984, contudo, o Brasil só voltou ao pódio cinco vezes, três bronzes e duas pratas.
A equação ''mais dinheiro, menos ouro'' é estranha, mas encarada com naturalidade pelos treinadores e ex-atletas. ''Medalha de ouro chama a atenção, mas não é o melhor indicador de desempenho'', justificou Nélio Moura, técnico da saltadora Maurren Maggi. Ela é uma postulante a quebrar o jejum de 24 anos sem um título olímpico. Katsuhiko Nakaya, técnico da equipe olímpica feminina de velocistas tem pensamento idêntico ao de Moura. ''Brasileiro só pensa em medalha. É preciso pensar na evolução em geral'', apontou.
Vencedor da Maratona de Nova York em 2006, Marílson Gomes dos Santos vê a injeção financeira como uma tendência internacional. ''Temos mais apoio hoje, realmente, mas os países grandes também aumentaram os seus.'' Ele é apontado como favorito na maratona.
Jayme Netto, técnico da equipe que conquistou a última medalha de prata do País, em Sydney, no revezamento 4x100 metros, também compara o Brasil aos rivais. ''Tem país que vai para Olimpíada com 12 chances de ouro e volta com duas. Nós vamos com quatro ou cinco possibilidades e é normal que voltemos sem um ouro'', avisou. ''Para se ter um campeão olímpico, não depende muito de dinheiro e sim de momento''.


